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Dólar fecha em alta de 3,36%, cotado a R$ 3,26, maior valor desde 2003

Na máxima do dia, moeda americana chegou a atingir a cotação de R$ 3,279; na semana, divisa acumula valorização de quase 7% 

Fabrício de Castro, Agência Estado

13 de março de 2015 | 09h38

(Atualização às 17h40)

SÃO PAULO - Numa sessão bastante tensa, o dólar voltou a disparar ante o real nesta sexta-feira e atingiu o maior valor em quase 12 anos. As preocupações com a economia brasileira e com a crise política somou-se hoje ao firme avanço do dólar no exterior, em meio à avaliação de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) está próximo de elevar sua taxa de juros. 

No pior momento do dia, o dólar chegou a se aproximar dos R$ 3,28, para depois encerrar em patamar um pouco menor, aos R$ 3,260, com alta de 3,36% no balcão. Este é o maior valor para a moeda desde 2 de abril de 2003. Fontes do governo se movimentaram após o encerramento dos negócios à vista, citando inclusive "claro exagero" na alta do dólar.

No acumulado do ano, a moeda americana já sobe quase 23%. Em 12 meses, o aumento é de mais de 37%. Só nessa semana, a valorização foi de quase 7%.

Para o turista, a moeda está ainda mais cara, pois as casas de câmbio cobram uma cotação maior na venda. Hoje, o dólar turismo acompanhado pela Agência Estado chegou a bater R$ 3,50, mas cada casa de câmbio cobra um valor, sendo possível encontrar cotações acima desta no mercado.

Pela manhã, as tensões internas, amplificadas pelo retorno das manifestações em várias cidades do País, já abria espaço para a busca de dólares. No exterior, a moeda americana também subia ante várias divisas, com investidores se posicionando antes da reunião do Fed, na semana que vem. A leitura era de que o Fed tende a dar sinais de que a alta de juros está próxima.

O movimento foi intensificado no início da tarde, após notícias publicadas na imprensa de que o governo vê parte da alta do dólar como especulação e que não queimará reservas para conter o avanço. Em meio a leitura de que o BC não entrará nos negócios, o dólar chegou a se aproximar dos R$ 3,28 no balcão, para depois se acomodar, em patamares mais baixos. Na máxima, vista às 12h47, a moeda de balcão marcou R$ 3,2790 (+3,96%). Mais cedo, às 9h27, a moeda havia marcado a mínima de R$ 3,1820 (+0,89%).

A pressão foi tão forte que, no meio da tarde, o dólar para janeiro de 2016 era precificado acima dos R$ 3,53. Os contratos futuros de dólar para prazos mais distantes não são líquidos na BM&FBovespa, mas operadores precificam a moeda com base na variação do dólar para abril, da curva de DI e da curva de cupom cambial. Com isso, players que tentassem fechar negócios nesta tarde no mercado de opções cambiais, por exemplo, encontrariam cotações próximas dos R$ 3,53 somadas ao spread dos bancos. 

Pouco depois do fechamento da moeda de balcão, perto das 16h30, fontes do governo falaram ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Elas disseram que o BC tem procurado mostrar que o ajuste no câmbio tem que se dar de maneira suave e que a instituição vê claro exagero na alta do dólar no Brasil. 

Ainda segundo as fontes, a autoridade monetária avalia que o movimento do dólar hoje reflete olhar de curto prazo, devido à reunião do Federal Reserve na próxima semana. As declarações levaram o dólar para abril a desacelerar a alta, mas a moeda se fortaleceu novamente com comentários de outra fonte da equipe econômica, de que o governo não vai intervir no câmbio.

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