Dólar fecha em alta, impulsionado por anúncio da nova equipe econômica

Após pregão volátil, moeda norte-americana subiu 0,56% e fechou a R$ 2,51, no maior patamar do dia; Planalto confirmou hoje Joaquim Levy no Ministério da Fazenda e Nelson Barbosa no do Planejamento

Clarissa Mangueira, O Estado de S. Paulo

27 de novembro de 2014 | 17h37

O dólar fechou na máxima da sessão, impulsionado pelas declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, sobre o futuro dos leilões de swaps cambiais da instituição. O governo confirmou nesta tarde que ele permanecerá no comando da autoridade monetária. A aceleração do avanço da moeda americana veio na reta final de um pregão volátil, marcado pelo baixo giro de negócios, pelas expectativas com a coletiva dos ministros confirmados nesta tarde e a disputa antes da formação da taxa Ptax no fim do mês.

No fim do dia, o dólar à vista subiu 0,56%, aos R$ 2,5190, maior patamar do dia. O volume de negócios somou US$ 388 milhões.

A moeda acentuou a alta durante a entrevista coletiva de Joaquim Levy, Nelson Barbosa e Alexandre Tombini, que foram confirmados nesta tarde na Fazenda, Planejamento e Banco Central, respectivamente. Tombini avaliou que o programa de swap cambial tem atingido "plenamente" seus objetivos ao evitar a volatilidade, ao mesmo tempo em que fornece proteção aos agentes econômicos. O presidente do BC afirmou ainda que o "estoque de derivativos cambiais ofertado pelo BC até o presente momento já atende de forma significativa a demanda por proteção cambial da economia".

O dólar à vista iniciou os negócios em alta, em um movimento de recuperação depois de cair em seis das últimas sete sessões. As atenções dos agentes esteve concentrada ao longo do dia na expectativa pela oficialização dos nomes de Levy e Barbosa para a equipe econômica. 

No pronunciamento após ser oficializado no Ministério da Fazenda, Levy afirmou que não há nenhuma medida imediata para ser anunciada pela nova equipe econômica. "Algumas coisas estão sendo discutidas, no caminho de reduzir despesas", disse, acrescentando que não se pensa em pacotes. "Temos que olhar todas as despesas que forem possíveis. É um trabalho de reequilíbrio da economia e que envolve diversos instrumentos", disse. Segundo ele, o objetivo imediato é estabelecer uma meta de superávit para os três próximos anos. "Em 2015 deve se trabalhar com meta de superávit de 1,2% e que a meta para 2016 e 2017 não será menor do que 2%", ressaltou o ministro.

Já Nelson Barbosa afirmou, na mesma entrevista coletiva à imprensa, que vai trabalhar para "o crescimento da economia brasileira, o controle rigoroso da inflação, a estabilidade fiscal e a geração de emprego". Ele disse que terá como "desafio mais imediato" a adequação do projeto orçamentário de 2015 a "um novo cenário macroeconômico". De acordo com ele, isso implicará na "elevação gradual do resultado primário", meta já apontada por Levy há poucos minutos. 

A disputa antes da formação da taxa Ptax de fim do mês, que ocorrerá amanhã, também contribuiu para a volatilidade do dólar no âmbito doméstico. Pela manhã, os bancos e fundos de investimentos, que estão "vendidos" em câmbio, atuaram na venda a fim de antecipar uma tendência para a última Ptax de novembro. Mais cedo, foram os estrangeiros que estão comprados em câmbio, que teriam conduzido parte da valorização inicial da moeda norte-americana. 

Como os mercados continuaram fechados em Nova York, em virtude do feriado no país, a atenção dos investidores no exterior se voltou para a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em Viena. O grupo decidiu hoje manter o teto de sua produção inalterado em 30 milhões de barris por dia após se reunir em Viena. Apesar de ter mantido a meta, a decisão significa que o grupo vai, na prática, tentar reduzir a produção, que tem excedido o limite em cerca de 300 mil barris por dia. Depois do anúncio, os preços dos contratos futuros do petróleo aceleram as perdas, chegando a recuar mais de 5% nesta tarde. O rublo também acentuou sua queda diante do dólar depois da decisão da Opep. A queda dos preços do petróleo nos últimos meses tem prejudicado a Rússia, que é um dos maiores produtores mundiais, mas não é membro da Opep. Às 17h (de Brasília), o dólar subia 3,22% diante do rublo, para 48,91. 

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