Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Dólar fecha em alta pelo 4º dia seguido e bate a cotação de R$ 3

Moeda norte-americana renovou a máxima desde agosto de 2004

Ana Luísa Westphalen, O Estado de S. Paulo

05 de março de 2015 | 09h00

Texto atualizado às 17h20

A crise instalada entre Planalto e Congresso segue contaminando o humor dos mercados domésticos e levou o dólar a fechar em R$ 3,00 na sessão nesta quinta-feira, em meio ao risco de que a disputa política ameace a implementação das medidas de ajustes fiscal propostas pelo governo. 

No exterior, o forte viés de alta para a moeda americana também contribuiu para a trajetória de valorização da divisa por aqui. Além disso, segundo profissionais ouvidos pelo Broadcast, a atuação de especuladores influenciou o movimento da moeda americana, em uma tentativa de testar a disposição do Banco Central de intervir no mercado via leilões, com o objetivo de conter a disparada.

O dólar à vista terminou o dia em alta de 1,01%, aos R$ 3,0090, o maior preço desde 13 de agosto de 2004 (R$ 3,021). Nestes quatro dias úteis de março, a moeda já acumula valorização de 5,36% e, em 2015, sobe 13,33%. Em 12 meses, a valorização é de 29,81%

No exterior, o euro chegou a cair abaixo de US$ 1,10 nesta tarde, pela primeira vez desde 5 de setembro de 2003, influenciado pelas expectativas com o início do programa de relaxamento quantitativo - conhecido como QE - do Banco Central Europeu (BCE). Mario Draghi, presidente da instituição, afirmou que as compras de bônus soberanos terão início da próxima segunda-feira.

A crise instalada entre Planalto e Congresso ganhou um novo capítulo na primeira sessão da CPI da Petrobrás. Isso porque a comissão é presidida por Hugo Motta (PMDB-PB), que é aliado do presidente do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos citados na "Lista do Janot". Em represália, Cunha estaria por trás das medidas aprovadas nesta manhã durante a CPI, todas desfavoráveis ao PT e ao governo federal.



No mercado de ações, o cenário político também roubou a cena e impôs uma nova sessão de perdas à Bolsa brasileira. A queda foi puxada, no entanto, por Vale, depois que a China reduziu sua meta de crescimento em 0,50 ponto porcentual e o preço do minério despencou 4,5%. Petrobrás conseguiu se segurar em alta, assim como Gerdau. O Ibovespa terminou o dia com perda de 0,20%, aos 50.365,20 pontos.

Nesta tarde, o presidente da Fazenda, Joaquim Levy, recebeu representantes da Standard & Poor's. Ele tentou convencer os integrantes da agência de que, apesar da falta de apoio da base aliada, a meta de superávit primário de 1,2% do PIB este ano será entregue e que os riscos relacionados à Petrobrás e ao abastecimento de energia estão controlados. 

Ainda em Brasília, a procuradoria-geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta tarde a abertura de inquérito contra cerca de 45 parlamentares com mandato, conforme apurou o Broadcast. Na última quarta-feira, a PGR enviou ao Supremo 28 pedidos de abertura de inquérito envolvendo 54 investigados com ou sem foro. 

Na lista de pedidos de abertura de inquérito estão o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ); o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL); os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ); Gleisi Hoffmann (PT-PR); Romero Jucá (PMDB-RR); Edison Lobão (PMDB-MA) e Fernando Collor (PTB-AL).  

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