Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dólar fecha em alta pelo quarto pregão seguido, com maior cotação desde 2016

Moeda americana terminou o dia acima de R$ 3,47; Ibovespa resistiu a tensões entre EUA e Irã, recuando 0,16%

Ana Paula Ragazzi, Paula Dias e Victor Rezende, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2018 | 18h33

O dólar subiu nesta terça-feira, 24, em relação ao real pelo quarto pregão consecutivo, fechando em alta de 0,61%, cotado a R$ 3,4706. No mês, a moeda americana acumula alta de 5%.  O fechamento é o maior valor desde 2 de dezembro de 2016.

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Segundo os especialistas, o real não está tendo folga por conta do estreitamento do diferencial entre os juros brasileiros na comparação com os americanos, que estimulam operações de hedge por aqui.

Como exemplo, além de comprar uma ação ou outro ativo qualquer, o investidor estrangeiro compra também dólares e garante um retorno ao redor dos 3,5% nessa operação - sem contar o que obtiver com a valorização das ações e os dividendos que poderá receber. De acordo com um gestor, essas operações estão criando uma demanda por hedge mais alta do que o normal.

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A sessão desta terça-feira, 24, também foi de expectativa para a pesquisa Ibope sobre as eleições presidenciais no Brasil, realizada no estado de São Paulo.

Bolsa. O Índice Bovespa resistiu à influência negativa das bolsas de Nova York e terminou o dia perto da estabilidade, aos 85.469,07 pontos, com recuo de 0,16%. O volume do pregão foi de R$ 9,5 bilhões, próximo da média dos últimos dias.

O fluxo de estrangeiros ficou perto do equilíbrio, segundo a percepção de operadores ouvidos pelo Broadcast. A expectativa otimista em torno da divulgação do balanço da Vale manteve o papel em forte alta, o que acabou por amenizar as perdas do índice. As ações da Petrobras, por sua vez, tiveram baixas leves, apesar da forte desvalorização dos preços do petróleo. 

"Esse aparente descolamento do Ibovespa em relação às bolsas de Nova York deve-se em parte à expectativa por balanços corporativos da semana. Com isso, Vale, Bradesco e Santander foram ações que tiveram desempenho acima da média hoje", disse Carlos Soares, analista da Magliano.

Vale ON terminou o dia com alta de 1,71% e respondeu pelo segundo maior volume de negócios na B3, atrás apenas de Petrobras PN. A Vale, que divulga resultado financeiro do primeiro trimestre amanhã, foi beneficiada ainda por relatório do Credit Suisse, que elevou o preço-alvo para o papel.

As units do Santander subiram 0,15%. Bradesco PN, com balanço marcado para quinta-feira, 26, avançou 0,18%.

O recente estabelecimento no fluxo de estrangeiros também foi apontado como fator a amenizar perdas na Bolsa brasileira hoje. Na última sexta-feira, houve ingresso líquido de R$ 325,2 milhões na B3. Em abril, o saldo acumulado já está positivo em R$ 3,288 bilhões. Hoje, instituições financeiras estrangeiras estiveram entre os destaques de compra, de acordo com operadores. 

"Foi um dia de volume não muito expressivo, o que significa que o investidor preferiu a cautela a sucumbir ao nervosismo do mercado americano. A expectativa por balanços contribuiu para esse comportamento mais comedido, mas nada impede que a Bolsa entre novamente num movimento mais forte de correção, especialmente se as tensões no exterior continuarem a alimentar a aversão ao risco", disse um operador.

Na mínima do dia, o Ibovespa chegou aos 85.105,84 pontos, caindo 0,58% no período da tarde. A ampliação das perdas esteve diretamente relacionada à deterioração das bolsas de Nova York.

Mercado internacional. Os mercados acionários americanos encerraram em baixa, direcionados por diversos fatores, que emitiram o sinal de venda em Nova York. As tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, balanços corporativos e a continuidade da percepção de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) continuará a elevar juros foram monitorados.

O índice Dow Jones fechou em queda de 1,74%, aos 24.024,13 pontos; o S&P 500 recuou 1,34%, aos 2.634,56 pontos; e o Nasdaq cedeu 1,70%, aos 7.007,35 pontos.

Em coletiva de imprensa na Casa Branca, o presidente dos EUA, Donald Trump, reforçou  que o Irã não pode ter permissão para desenvolver armas nucleares.

Mas foram os comentários do presidente da França, Emmanuel Macron, que chamaram a atenção do mercado. O líder francês disse aceitar o acordo atual entre as potências e Teerã, mas sinalizou que a iniciativa poderia ser melhorada.

A sugestão de Macron emitiu sinais ao mercado de que o pacto poderia ser mudado para que os EUA continuem nele. O petróleo, que vinha operando em forte alta nas últimas semana passou a cair. Acompanhando o movimento, a Chevron recuou 0,84% e a ExxonMobil caiu 1,53%.

A possibilidade dos EUA se retirarem do pacto nuclear acendeu o sinal de alerta em Teerã. O ministro de Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, afirmou que se Washington deixar o acordo o Irã não estará mais preso às obrigações internacionais do pacto, o que permitiria uma retomada das atividades de enriquecimento de urânio pelo país persa, além dos limites impostos pelo acordo.

Além disso, os resultados corporativos do primeiro trimestre pressionaram as bolsas. "Nossas recentes conversas com investidores sugeriram que, enquanto a maioria dos agentes esperava que a atual temporada de balanços fosse forte, isso já estava precificado. Por isso, é improvável que os lucros impulsionem o desempenho dos mercados", afirmaram analistas do BofA Merrill Lynch.

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