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Dólar fecha em baixa, cotado a R$ 3,21, com falas de Dilma e Levy

Após declarações polêmicas de Levy no sábado, presidente saiu em defesa do ministro e desfez mal-estar; volume de negociações foi baixo devido a problemas no sistema do Banco Central 

Denise Abarca, O Estado de S. Paulo

30 de março de 2015 | 17h25

O dólar terminou esta segunda-feira, 30, em queda, desfeito o mal-estar causado por declarações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, divulgadas no sábado. Nesta tarde, a presidente Dilma, após cerimônia de entrega de imóveis do Minha Casa Minha Vida, no Pará, saiu em defesa do ministro, dizendo ter certeza de que ele foi mal interpretado em sua fala. As afirmações de Dilma, juntamente com comentários de Levy sobre o assunto feitos também nesta segunda-feira em almoço com empresários, abriram espaço para os mercados devolverem a aversão a risco embutida nos negócios mais cedo.

O dólar à vista no balcão fechou em baixa de 0,53%, a R$ 3,219, com o giro de US$ 149 milhões, por volta das 17 horas. Segundo operadores, o volume baixo foi provocado por problemas no sistema de mensageria do Banco Central que dificultaram o registro de operações de câmbio nesta segunda-feira. No mercado futuro, o dólar para abril era cotado, às 16h54, a R$ 3,229, em baixa de 0,74%.

A moeda começou o dia em alta, com a tendência externa sendo reforçada pelas preocupações domésticas relacionadas ao futuro do ajuste fiscal após o vazamento das declarações do ministro. A máxima, de R$ 3,283 (+1,45%), no balcão foi alcançada logo após a abertura. Levy afirmou na última terça-feira, em evento fechado para alunos da Universidade de Chicago, que a presidente Dilma demonstra um "desejo genuíno" de acertar, mas não o faz "da maneira mais fácil" e "efetiva", segundo portal da Folha de S.Paulo.

Para os investidores, parlamentares poderiam usar a fala como moeda de troca para afrouxar as medidas de ajuste que dependem de aprovação do Congresso. O Senado pode votar em regime de urgência um projeto de lei que determina um prazo de 30 dias para o governo regulamentar a mudança de indexador de correção da dívida dos Estados e municípios.

No começo da tarde, a alta do dólar começou a perder força e passou a registrar queda, na esteira de esclarecimentos da presidente Dilma sobre o assunto e pouco depois das 15h30 a moeda à vista bateu a mínima de R$ 3,208 (-0,87%). Em Capanema (PA), Dilma disse que o ministro da Fazenda foi mal interpretado. "Não tenho o que falar sobre Levy. O que o Levy falou está dentro de um contexto. Se você pegar fora do contexto, vai entender distorcido", afirmou a presidente. Segundo Dilma, Levy ficou "bastante triste" com a interpretação que foi dada a sua fala e explicou "exaustivamente" o ocorrido.

Em almoço com empresários, Levy, por sua vez, disse que "pegaram" o segundo período da fala dele para se criar um "banzé". "As pessoas podem pegar trecho relevante da minha fala para criar um banzé", disse, reiterando que o que afirmou durante a palestra é que a presidente Dilma tem interesse genuíno de resolver as coisas. O ministro declarou ainda que existe uma grande afinidade entre ele e Dilma. Segundo Levy, a presidente está trabalhando para endireitar o Brasil e o governo promove agendas sobre quais existe grande consenso. "Houve um pouco de mal-entendido, mas a confiança mútua é muito sólida", comentou. "Nós somos um time liderado pela presidente e estamos jogando junto", acrescentou.

Além do efeito das declarações de ambos, a atuação de investidores vendidos também ajudou a ancorar o dólar em queda. Como amanhã há determinação da Ptax de fim de mês, estes players aproveitam para puxar as cotações para baixo, já antecipando um pouco a disputa com os comprados pela taxa.

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