Adek Berry/AFP
Adek Berry/AFP

Dólar fecha em leve alta e Bolsa cai em dia de espera por impeachment

Decisão sobre os juros nos Estados Unidos também motivaram a cautela dos investidores; moeda fechou cotada a R$ 3,23

Lucas Hirata, Paula Dias, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2016 | 17h53

O dólar fechou em alta de 0,12% frente ao real nesta terça-feira, 30, encerrando os negócios cotado a R$ 3,2383, afastado da máxima do dia, de R$ 3,2628 (+0,87%), e da mínima, de R$ 3,2201 (-0,45%), registrada no começo da sessão. De acordo com dados registrados na clearing da BM&F Bovespa, o volume de operações somou US$ 962,703 milhões - o valor baixo reflete a o compasso de espera dos investidores por definições no cenário local e no exterior. 

Já a Bovespa, também influenciada pela cautela e com baixo volume de negócios, encerrou o dia em leve queda de 0,06%, aos 58.575,42 pontos.

 

Investidores aguardam o desfecho do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff e novas pistas sobre quando o Federal Reserve, banco central norte-americano, voltará a elevar os juros. 

O registro de votos e a conclusão do processo de impeachment de Dilma devem ficar para amanhã. Com isso, a quarta-feira se tornou um dia ainda mais crucial para a história nacional, sinalizando uma sessão de elevada volatilidade. O pregão de amanhã também conta com a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre e o desfecho da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Para o câmbio especificamente, espera-se ainda a disputa técnica em torno da formação da taxa Ptax de fim de mês.

O ambiente externo, marcado também por ansiedade, ajudou a elevar o dólar, diante da percepção de que o aumento da confiança dos consumidores nos Estados Unidos pode indicar um aperto iminente de juros pelo Federal Reserve. Na agenda da semana, está previsto ainda o relatório do mercado de trabalho dos Estados Unidos (payroll) na sexta-feira, que tem ganhado importância na visão do mercado após comentários recentes de dirigentes do Federal Reserve e alguns dados positivos do país. 

Mercado de ações. A Bolsa brasileira iniciou o dia em alta, perdeu fôlego com o cenário externo mais adverso e operou em leve baixa na maior parte do tempo, num comportamento atribuído a uma leve realização de lucros.

A sessão do Senado que ouviu advogados de acusação e defesa no processo de impeachment de Dilma Roussef não influenciou os negócios diretamente, mas manteve os investidores atentos. Mesmo com um placar aparentemente menos folgado que o esperado, o afastamento definitivo de Dilma continuou a ser dado como certo.  

Assim, a expectativa se volta ao presidente em exercício, Michel Temer, que nesta quarta-feira, 31, viaja para a reunião do G-20, no mesmo dia em que deve ocorrer a votação final do processo de impeachment. A um dia da grande definição, investidores optaram por não assumir grandes posições.

 O cenário internacional, que nesta segunda-feira impulsionou a Bovespa para uma alta de 1,55%, hoje exerceu força contrária. O temor de efeitos de um aperto monetário nos Estados Unidos voltou a reduzir o apetite por risco, o que fortaleceu o dólar e enfraqueceu o mercado de renda variável.  

Com a queda das bolsas americanas, a Bovespa abandonou ainda pela manhã o movimento de alta, que havia chegado a 0,46% (58.882 pontos). Na mínima, o Índice Bovespa chegou a cair 0,54% (58.293 pontos).  Algumas das ações que mais subiram na segunda-feira, acompanhando seus pares no exterior, acompanharam nesta terça esses mesmos pares na correção.

Foi o caso dos papéis da Vale, que devolveram os ganhos da véspera, com quedas de 2,49% (ON) e 2,01% (PNA). Algumas ações de bancos também passaram por realização de lucros. Banco do Brasil, que havia subido mais de 4% na véspera, recuou 0,38%.  Em meio ao compasso de espera, parte das oscilações da Bolsa foi comandada pelo noticiário corporativo.

As ações da Petrobrás resistiram mais uma vez à queda dos preços do petróleo e operaram em alta na maior parte do tempo, incentivadas por notícias sobre avanços no plano de desinvestimento da companhia.  

Na segunda-feira o mercado havia reagido bem à notícia da existência de candidatos à aquisição da BR Distribuidora. Nesta terça, o destaque foi a possível venda da participação da estatal na petroquímica Braskem. Com isso, Braskem PNA subiu 5,64% e liderou as altas do Ibovespa. Petrobrás PN subiu 1,71% e Petrobrás ON perdeu fôlego na última hora de negócios, fechando em baixa de 0,07%.

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