Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Dólar fecha em leve baixa após disparada na quarta-feira

Moeda se ajustou ao forte avanço da véspera e também seguiu a tendência do exterior para terminar em queda de 0,18%, a R$ 2,742

Clarissa Mangueira, O Estado de S. Paulo

05 Fevereiro 2015 | 17h25

O dólar fechou esta quinta-feira em queda, pressionado por um movimento de ajuste, depois de ter atingido na quarta-feira o maior nível desde 17 de março de 2005 ante o real. Além disso, a recuperação do petróleo beneficiou as moedas de países emergentes e ligados a commodities. Apesar do recuo do dólar, as taxas de juros futuros terminaram com ligeiro viés de alta, recebendo suporte das expectativas em torno da elevação da taxa Selic, em março, e do avanço dos juros dos Treasuries. No fim dos negócios, o dólar fechou em baixa de 0,18%, a R$ 2,7420.

O petróleo se recuperou hoje, depois de registrar a maior queda diária em dois meses, na quarta-feira, puxado por dados que mostraram que os estoques norte-americanos da commodity chegaram ao maior nível em 80 anos. A alta do petróleo impulsionou as moedas de países emergentes e ligados a commodities, como real, o dólar australiano, o rublo da Rússia e o peso mexicano, também em meio aos ganhos do petróleo no exterior. O dólar também recuou ante o euro, depois de a União Europeia divulgar projeções mais otimistas para o PIB da zona do euro.

No fim da manhã, o dólar zerou as perdas e passou a subir frente o real, com a notícias de que o  presidente da Câmara, Eduardo Cunha, autorizou a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar irregularidades na estatal, além da possibilidade de que a reunião do Conselho de Administração da petroleira, marcada para amanhã no Rio, não seja concluída em um único dia. 

Também pela manhã, os conselheiros da Petrobrás, representantes da União e a acionista majoritária da estatal iniciaram uma reunião, na sede da empresa, para discutir a substituição da atual diretoria. Segundo fontes, havia chance de a reunião não ser concluída em um único dia. Conforme apurou o Broadcast, o presidente da resseguradora IRB Brasil Re, Leonardo Paixão, é tido como uma opção para substituir Graça Foster na presidência da Petrobrás. Ele foi procurado há algumas semanas e pode assumir o comando da estatal caso o governo não consiga emplacar um nome de maior peso. Também estão sendo cotados para o cargo o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ex-presidente da BR Distribuidora, Rodolfo Landim. Nos bastidores, também falam no diretor-presidente da Vale, Murilo Ferreira, e o ex-presidente da Vale, Roger Agnelli. 

O dólar voltou a cair, no entanto, ao longo da tarde, à medida que a influência externa prevaleceu sobre o sentimento dos investidores. Os dados da arrecadação da poupança divulgados pelo Banco Central nesta tarde foram apenas monitorados, sem impacto no mercado.

Segundo o BC, o resgate líquido da caderneta de poupança ficou em R$ 5,529 bilhões em janeiro. É a primeira vez em nove meses que o volume de retiradas (R$ 152,996 bilhões) fica maior do que o de depósitos (R$ 147,467 bilhões) - em abril do ano passado, o resultado havia ficado negativo em R$ 1,273 bilhão. Com isso, o resultado da poupança em janeiro é o pior para o mês da série histórica do BC, iniciada em 1995 - portanto, há 20 anos. Até então, o maior resgate líquido da poupança neste mês havia sido em 2006, quando o saldo ficou negativo em R$ 1,881 bilhão. 

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