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Dólar fecha perto de R$ 2,90, no maior nível desde setembro de 2004

Moeda americana era vendida no fim do pregão nacional na cotação máxima do dia, de R$ 2,893, em alta de 1,30%

Denise Abarca, Agência Estado

02 de março de 2015 | 10h01

Atualizado às 17h15

O mês de março começou com o dólar em trajetória ascendente, pressionado pelos movimentos no exterior e por fatores locais negativos. A moeda norte-americana fechou na máxima do dia, voltando a encostar em R$ 2,90. A tendência de valorização externa nesta segunda-feira foi amplificada pelo desconforto do mercado com o ambiente em Brasília, depois da presidente Dilma ter classificado de "infeliz" a declaração do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na sexta-feira, de que a desoneração da folha de pagamento foi feita de maneira "grosseira". Ainda, o investidor se surpreendeu com a decisão do Banco Central de não rolar integralmente este mês o vencimento de US$ 9,9 bilhões em contratos de swap cambial de abril, e com os dados da balança comercial de fevereiro.

O dólar à vista no balcão fechou em R$ 2,8930 (+1,30%), na máxima do dia, também tocada mais cedo, por volta das 15 horas. É o maior patamar de fechamento desde 15/9/2004 (R$ 2,9020). Na mínima, teve uma queda pontual pela manhã, chegando a R$ 2,854 (-0,07%), mas logo voltou a subir. O volume no mercado à vista era de aproximadamente US$ 621 milhões, sendo US$ 599 milhões em D+2. No mercado futuro, o dólar para abril, perto das 16h30, era cotado em R$ 2,915 (+1,71%).

Levy havia dito ainda que a "brincadeira" da desoneração da folha tinha custado R$ 25 bilhões aos cofres públicos. O episódio da repreensão de Dilma a Levy reforçou a desconfiança sobre até que ponto a Fazenda terá autonomia para atuar, no momento em que o ministro tenta mobilizar o Congresso para emplacar as medidas de ajuste fiscal que resultem em superávit primário de 1,2% do PIB neste ano. Ainda assim, uma parcela do mercado enxergou o episódio apenas como algo político, que não impedirá o trabalho da Fazenda.

Desde que o ministro disse que o governo não tinha a intenção de manter o câmbio "artificialmente valorizado", no final de janeiro, o mercado vem testando o Banco Central que, por ora, se limita à atuação via swaps cambiais. O BC anunciou na sexta-feira rolagem de 7,4 mil contratos para hoje, vendidos integralmente, pouco mais da metade do que vinha rolando no mês passado (13 mil contratos). A decisão foi vista como um sinal de que, de fato, a chamada ração diária deve durar somente mais este mês.

À tarde, os dados da balança comercial deram mais combustível às compras. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, a balança comercial brasileira registrou em fevereiro o pior resultado para o mês desde 1980: déficit de US$ 2,842 bilhões. O saldo negativo ficou levemente abaixo do piso das expectativas de mercado que apontavam para um déficit comercial de US$ 1,500 bilhão a US$ 2,800 bilhões, com mediana negativa de US$ 2,400 bilhões. O ministro Armando Monteiro garantiu que a balança terá superávit este ano.

No exterior, a moeda ganhou força com os dados positivos da economia norte-americana e da leitura de parte do mercado sobre o corte de juros na China. No fim de semana, o Banco do Povo da China (PBOC) anunciou a redução na taxa de juros de concessão de empréstimo de um ano em 0,25 ponto porcentual, para 5,35%, de 5,60% anteriormente. A taxa de juros de depósito de um ano também foi reduzida em 0,25 ponto porcentual, para 2,50%, de 2,75%. Alguns investidores viram a decisão como um sinal de alerta sobre o comportamento da economia. 

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