Dólar futuro sobe, mas mercado segue atento a BC

Maior aversão ao risco no exterior deve propiciar um começo de dia em alta do dólar em relação ao real

Olivia Bulla, da Agência Estado,

22 de agosto de 2012 | 09h34

A abertura dos negócios com dólar nesta quarta-feira deve ser mais tranquila do que o início do pregão de terça-feira, quando a pressão negativa sobre a moeda norte-americana levou o Banco Central a consultar as mesas de operações sobre uma eventual demanda por swap cambial reverso - e o leilão acabou acontecendo pouco depois. A maior aversão ao risco no exterior deve propiciar um começo de dia em alta do dólar em relação ao real, em linha com os ganhos ante o euro e as moedas correlacionadas com commodities. Porém, o mercado doméstico de câmbio segue atento às prováveis intervenções da autoridade monetária.

Por volta das 9h10, na BM&F Bovespa, o contrato futuro do dólar para setembro de 2012 exibia alta de 0,05%, a R$ 2,022, depois de oscilar entre uma máxima a R$ 2,023 (+0,10%) e uma mínima a R$ 2,0215 (+0,02%). No mercado de balcão, o dólar à vista abriu em alta de 0,10%, a R$ 2,0190. Às 9h23, porém, estava na mínima, a R$ 2,0170, estável.

Segundo um operador de tesouraria de um banco local, o BC deixou claro ontem que segue monitorando o comportamento da taxa de câmbio nacional e que o governo pretende manter o dólar acima do piso de R$ 2,00. Portanto, o profissional, que falou sob a condição de não ser identificado, não descarta a possibilidade de novas atuações da autoridade monetária, sobretudo no segmento futuro (derivativos).

"Se o dólar se aproximar ou vier abaixo da faixa de R$ 2,01, o BC deve entrar sim", avalia, lembrando que na terça-feira, quando a moeda norte-americana tocou a mínima do dia, a R$ 2,007, com recuo de 0,55%, o BC fez consulta e, posteriormente, ofertou contratos de swap cambial reverso, que equivalem à compra de dólares no mercado futuro. Agentes do mercado estimam que outros leilões desse tipo devem ocorrer no curto prazo, diante da proximidade do vencimento de swap tradicional em setembro, que totaliza cerca de US$ 4,5 bilhões em contratos.

Porém, ao menos nesta manhã, a chance desse fato se repetir é menor, diante da menor propensão ao risco que prevalece nos mercados internacionais. Ainda assim, a força da moeda norte-americana pode ser testada ao longo do dia, diante das expectativas pela ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, que será divulgada às 15 horas. O documento pode apresentar indícios de que o colegiado do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) vê a necessidade de novos estímulos à economia dos Estados Unidos.

No exterior, o euro perde terreno ante o dólar, com os investidores à espera dos desdobramentos da reunião desta quarta-feira entre o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, e o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker. Já o iene é penalizado pelo déficit comercial do Japão maior que o esperado em julho, com queda das vendas externas e aumento das compras feitas no exterior, o que traz uma pressão ainda maior sobre a economia japonesa, dependente das exportações.

Entre as moedas atreladas aos países exportadores de commodities, destaque para o dólar australiano, que sente os impactos da queda no lucro e na postergação de projetos de expansão pela mineradora BHP. Ainda por volta das 9h10, o euro caía a US$ 1,2452, de US$ 1,2472 no fim da tarde de terça-feira em Nova York; o dólar subia a 79,25 ienes, de 79,28 ienes na véspera. Já o dólar norte-americano subia 0,51% ante o dólar australiano.

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