Dólar mantém volatilidade ante euro e outras moedas

O dólar deve entrar em uma montanha-russa nesta semana, com os mercados cambiais se movimentando ao capricho dos dados e ao escrutínio do comunicado do encontro do Comitê de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA). Volatilidade tem sido um tema persistente nas últimas semanas no mercado cambial, após o Fed ter tomado os dados econômicos como critério para sua política monetária. Como conseqüência, o dólar tem vacilado para frente e para trás ao sabor de cada dado que indica esfriamento ou aquecimento da economia norte-americana. Às 10h55, o euro subia a US$ 1,2031 e o dólar caía para 116,56 ienes (moeda do Japão). No mercado de câmbio doméstico, o dólar subia a R$ 2,178. A oscilação deve persistir, mesmo após os investidores digerirem o esperado aumento de 0,25 ponto percentual das taxas dos Fed Funds e o comunicado que acompanha a decisão. Algumas analistas esperam que o comunicado dê ao dólar alguma direção. Mas é só uma esperança. O Fed não deve revelar as suas intenções ao mercado e deve reiterar a sua dependência em relação aos dados, o que não impedirá que os investidores tentem discernindo cada substrato de informação. "Os investidores vão tentar profetizar com as folhas de chá se houver qualquer nuance quanto a um caminho ou ao outro que já esteja precificado no mercado", disse o analista de câmbio do RBC Capital Markets, T.J. Marta, em Nova York. Mas não deve ter nada diferente em relação ao que foi lido. A maioria dos analistas acredita que o comunicado vai reproduzir as mesmas características vagas dos documentos anteriores. O estrategista sênior do Bank of New York, Michael Woolfolk, afirmou que o Fed deve fazer o mercado supor que há necessidade de novos apertos, se os dados tornarem essas altas necessárias, o que deve contribuir para a volatilidade. "Se a porta ficar aberta para novos apertos, o mercado vai começar a construir as expectativas sobre um aumento em junho", disse. Diante do foco do Fed nos dados, a divulgação de levantamentos considerados menos relevantes e de segunda linha podem continuar tendo impacto forte no mercado. Foi o que ocorreu na semana passada, quando o dólar subiu com as vendas acima das expectativa de imóveis residenciais previamente ocupados em fevereiro nos EUA, enquanto a moeda cedeu com o dado mais fraco de vendas de imóveis novos. Os dados são, tipicamente, de segunda linha. Antes da decisão do FOMC, a Conference Board divulgará o dado de confiança dos consumidores, com as projeções convergindo para uma melhora de 101,7 em fevereiro para 102 em março. O foco principal deverá ser o FOMC para o câmbio, mas há outros eventos externos na semana que podem produzir reações. Entre os dados estão o levantamento IFO de sentimento no meio empresarial em março, com divulgação amanhã. Um dado robusto pode dar mais calor ao debate sobre a necessidade de o Banco Central Europeu elevar suas taxas de juro em maio. No Japão, o dado de produção industrial, com divulgação na quinta-feira, e o índice de preços ao consumidor (CPI), previsto para sexta-feira, serão monitorados em busca de referências sobre o rumo da política monetária no país. Para o CPI, a previsão é de aumento de 0,6% em fevereiro, na comparação anual. O Japão também divulga os dados de vendas do varejo na quarta-feira. As informações são da Dow Jones.

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