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Temor com economia global fortalece dólar; Bovespa fechou em queda de 3,32%

Tom é de cautela nos mercados domésticos, com a aversão a risco no exterior; incertezas políticas motivaram saída de dólares do País em maio

Lucas Hirata, Silvana Rocha e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

10 Junho 2016 | 10h22

SÃO PAULO - O dólar estendeu hoje a alta da véspera, apoiado no clima de aversão ao risco no exterior. Preocupações com a economia mundial apoiaram a queda de commodities e das bolsas internacionais, enquanto o dólar e o ouro subiram com a busca de proteção. O dólar à vista terminou com valorização de 0,84%, aos R$ 3,4255. No mercado futuro, o dólar para julho subia 0,63, aos R$ 4,455, às 17h19. 

O estrategista-chefe do banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, afirmou que os mercados prolongaram hoje a realização de lucros iniciada ontem, após a queda de 6,71% do dólar em seis sessões e a alta de 2,26% da Bovespa na quarta-feira. 

O clima de aversão ao risco nesta sexta-feira mostra que os investidores em âmbito mundial já se preparam para os dois eventos de risco nas próximas semanas: a reunião do Federal reserve nos dias 14 e 15, e o plebiscito no Reino Unido no dia 23 para apurar se o país sairá ou não na União Europeia. "Ninguém quer ficar montado em posição no fim de semana diante desses fatores de risco à frente", afirmou.

"O investidor mostra preocupação com os próximos passos da economia mundial", afirmou o especialista. Ontem, o megainvestidor George Soros já alertou que há boa chance de a União Europeia (UE) entrar em colapso caso o Reino Unido deixe a UE, no chamado "Brexit".

Há compasso de espera ainda por desdobramentos dos pedidos de prisão de lideranças do PMDB, como Romero Jucá, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, que estão nas mãos do ministro do STF, Teori Zavascki. 

Rostagno, do Mizuho Brasil, citou que pode a Operação Lava Jato trazer novidades, já que está chegando aos políticos, depois da prisão de executivos, tesoureiro e marqueteiro de campanhas eleitorais. "Isso pode trazer turbulências ao cenário, atrasando reformas e, dependendo do evento, pode haver algum catalisador que diminua a legitimidade do atual governo ou algum evento que prejudique a relação do executivo com o legislativo".  

Bolsa. Bovespa fechou em queda de 3,32% nesta sexta-feira, aos 49.422,15 pontos, influenciada pelo cenário internacional bastante adverso, com os investidores estrangeiros em busca de ativos mais seguros. O volume de negócios na Bolsa brasileira totalizou R$ 5,14 bilhões, pouco abaixo da média diária de junho (R$ 5,625 bilhões). O dólar ganhou forças e os preços do petróleo fecharam em queda expressiva tanto na bolsa de Nova York (-2,94%) como na de Londres (-2,71%).   

Em tese, as ordens de venda de hoje foram uma continuidade do movimento de realização de lucros de ontem, uma vez que diversas ações têm "gordura" para queimar. Entre as 59 ações que fazem parte do Ibovespa, somente Suzano PNA fechou em alta (+0,16%). Entre as baixas, o destaque ficou com o setor de mineração e siderurgia. Os papéis, que acumulam ganhos significativos em 2016, são bastante sensíveis a sinais de desaceleração das economias de modo geral. Além disso, os preços do minério de ferro na China ficaram estáveis pelo terceiro dia consecutivo. Lideraram as perdas do índice Usiminas PNA (-10,05%), CSN ON (-7,82%), Petrobras ON (-6,13%) e Metalúrgica Gerdau (-5,96%). 

As ações das Vale caíram 4,78% (ON) e 4,80% (ON). Além da estagnação do preço do minério, a ação respondeu à notícia que a Polícia Federal indiciou um funcionário da mineradora dentro do inquérito que apura o rompimento da barragem em Mariana (MG), em novembro do ano passado. Com o resultado de hoje, o Ibovespa encerrou a semana com queda de 2,37%, acumulando ainda alta de 14,01% em 2016.

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