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Ações da Petrobrás caem mais de 2% e puxam queda da Bolsa

Após alta de mais 8% na véspera, papéis da estatal cederam com queda do petróleo; dólar voltou a subir e fechou a R$ 3,39

Paula Dias, Lucas Hirata, Silvana Rocha, O Estado de S.Paulo

09 Junho 2016 | 10h23

A Bovespa fechou em queda de 0,99% nesta quinta-feira, 9, após ter subido 2,26% na véspera. O movimento foi atribuído a uma correção, com os investidores recolhendo parte de lucros recentes. Essa correção teve como justificativa uma deterioração do cenário internacional, que assumiu um tom mais cauteloso com as economias da China e da Europa. Em meio à queda de commodities e fortalecimento do dólar, o Índice Bovespa chegou a operar abaixo do patamar dos 51 mil pontos, mas terminou o dia aos 51.118,46 pontos. O volume de negócios totalizou R$ 5,19 bilhões.

Entre as ações que mais caíram estiveram aquelas que mais haviam subido no dia anterior ou durante o ciclo de seis quedas consecutivas do dólar. Ações de mineração, siderurgia e petróleo, que passaram por um rali no pregão da quarta-feira, tiveram quedas superiores à média do mercado. É o caso de CSN ON, que esteve no topo das altas do Ibovespa ontem (+16,45%) e hoje foi a segunda maior perda do índice (-7,37%) do índice. Os papéis da Petrobrás acompanharam a queda dos preços do petróleo e recuaram 2,49% (ON) e 2,24% (PN). Com isso, devolveram parte dos ganhos de 8,27% e 8,93% do pregão anterior.

Apesar do feriado na China, que fechou os mercados locais, foi um dado chinês divulgado ontem à noite que deu início à piora do humor externo. A inflação ao consumidor da China se desacelerou em maio, perdendo fôlego pela primeira vez em sete meses. A desaceleração foi interpretada como sinal de fraqueza da economia local e reduziu o otimismo da véspera, quando dados da balança comercial mais fortes que o esperado animaram os mercados.

Também causaram algum desconforto as declarações mais cautelosas do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, que criticou a falta de reformas econômicas nos países europeus, que tem dificultado o trabalho do BCE de impulsionar a inflação. O mercado também reagiu negativamente a declarações do megainvestidor George Soros, que afirmou que a eventual saída do Reino Unido da União Europeia - o chamado "Brexit" - poderia "desencadear um êxodo geral e a dissolução da União Europeia passará a ser praticamente inevitável". Com o resultado de hoje, o Ibovespa acumula alta de 5,46% em junho e de 17,92% em 2016.

Câmbio. O dólar encerrou o ciclo recente de queda e voltou a subir em um movimento de correção, mas permaneceu abaixo de R$ 3,40. Os profissionais do mercado aguardam novidades sobre a futura atuação do Banco Central sob o comando de seu novo presidente, Ilan Goldfajn. O ajuste ante o real acompanhou ainda a alta do dólar observada lá fora frente a divisas emergentes e ligadas a commodities. 

No mercado à vista, o dólar no balcão encerrou o dia em alta de 0,84%, a R$ 3,3971, depois de tocar a máxima intraday de R$ 3,4044 (+1,05%). Pela manhã, chegou a cair até R$ 3,3628 (-0,18%). O giro registrado na clearing de câmbio da BM&FBovespa foi de US$ 1,332 bilhão. No mercado futuro, o dólar para julho encerrou em alta de 1,11%, a R$ 3,4235. O volume negociado ficou em torno de US$ 13,109 bilhões.

O diretor da Correparti, Jefferson Rugik, disse que o dólar abriu em alta, em linha com o viés positivo no exterior dada a cautela com a China, mas passou a cair em seguida, reagindo a ingressos de fluxo financeiro de captações corporativas no mercado à vista. Nesta semana, foram fechadas três captações privadas no total de US$ 2,1 bilhões, por Vale, Cosan e Eldorado. Depois que as entradas de recursos cessaram, a moeda retomou a alta em linha com o exterior, completou. 

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