Dólar opera em queda com leilão de swap, ata do Copom e EUA

No mercado à vista, moeda norte-americana abriu a R$ 2,1670, em baixa de 0,41%, para em seguida atingir R$ 2,17

Silvana Rocha, da Agência Estado,

17 de outubro de 2013 | 09h41

Texto atualizado às 14h45

SÃO PAULO - O dólar opera em queda ante o real, acompanhando o desempenho negativo da moeda dos EUA após o acordo temporário aprovado no Congresso dos EUA. Na noite de ontem, o Congresso aprovou uma legislação que mantém o governo norte-americano funcionando até 15 de janeiro e suspende o teto da dívida até 7 de fevereiro. Sanado o impasse, as atenções se voltam para a política monetária do Fed.

Ás 14h36, a moeda americana estava em queda de 0,64%, cotada a R$ 2,1620. Na mínima do dia até agora, chegou a R$ 2,1570 e, na máxima, a R$ 2,1700.

Para analistas da Brown Brothers Harriman (BBH), o Fed dificilmente vai começar a reduzir as compras de bônus neste ano porque a recente série de dados sobre o setor privado - como a criação de vagas publicada pela ADP, o índice ISM, as vendas de automóveis, algumas pesquisas de regionais do Fed e indicadores de confiança do consumidor - aponta para certa perda de ritmo econômico.

O viés de baixa da moeda norte-americana prevalece em âmbito global. O acordo temporário aprovado no Congresso dos EUA para reabrir o governo e elevar o teto da dívida foi saudado sobretudo pelo governo da China, que possui US$ 3,66 trilhões em reservas internacionais e sofreria perdas se os EUA não conseguissem pagar seus credores, uma vez que grande parte das reservas está alocada em dívida norte-americana.

Copom. Na ata do Copom, divulgada hoje, o Banco Central retirou a palavra "piora" ao falar de percepção de agentes do mercado sobre a dinâmica da inflação. Contudo, o comitê do Banco Central entende ser apropriada continuidade do ritmo de ajuste monetário em curso, embora desde a última reunião tenha ocorrido arrefecimento em tensões e volatilidade nos mercados de moeda. A projeção para o IPCA 2013 na ata diminuiu, mas segue acima de 4,5% no cenário de referência. Já a taxa de câmbio no cenário de referência passou de R$ 2,40 para R$ 2,20.

Leilão diário. O Banco Central vendeu nesta manhã a oferta integral de 10 mil contratos de swap cambial para 5 de março de 2014, no valor de US$ 497,8 milhões. O swap cambial tradicional equivale à venda de moeda no mercado futuro.

Esta operação faz parte do programa de leilões diários no mercado cambial anunciado no dia 22 de agosto e que conta com operações de swap de segunda a quinta-feira, no valor de US$ 500 milhões cada, além de leilão de linha às sextas-feiras, no total de US$ 1 bilhão. Até o fim do ano, o BC espera ofertar cerca de US$ 100 bilhões por meio desses leilões diários.

Mudança. Hoje o Banco Central anunciou uma mudança no horário de comunicação dos leilões diários de swap cambial, dentro do programa anunciado no último dia 22 de agosto de intervenção no mercado de câmbio. Até agora, as operações que eram realizadas de segunda a quinta-feira, no valor de US$ 500 milhões cada, eram anunciadas na véspera às 14h30. A partir de agora as condições da oferta serão apresentadas entre às 19h30 e 20h30 do dia anterior. Segundo a assessoria do BC, trata-se apenas de um "ajuste operacional" do BC.

Ontem, foi o primeiro dia que o BC "atrasou" a comunicação. Mas, como não havia explicado que este seria o novo patamar de horário, criou muito ruído no mercado financeiro. Apesar de aguardar desde às 14h30 as condições para o leilão realizado hoje, dentro dos parâmetros que vinham sendo usados até então, o mercado só soube dos detalhes da operação cinco horas e meia depois, por volta das 20 horas.

Para o leilão de linha, que é anunciado todas as quintas-feiras para ocorrer às sextas-feiras, não há mudança prevista. Na realidade, as apresentações das condições desta operação não eram tão pontuais quanto às do leilão de swap. Costumam ocorrer do meio para o fim das tardes de quinta-feira. Nos leilões com compromisso de recompra, o BC tem ofertado semanalmente US$ 1 bilhão em títulos.

Assim, o programa de "ração diária" do Banco Central injeta o equivalente a US$ 3 bilhões por semana no mercado. A previsão do BC feita na época do anúncio era a de que essas intervenções ocorram até "pelo menos" o fim do ano. A expectativa é injetar cerca de US$ 100 bilhões, dos quais aproximadamente US$ 45 bilhões já tinham circulado até o dia do anúncio, ao final de agosto.

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