Brendan McDermid/Reuters
Brendan McDermid/Reuters

Rumores sobre a saída de Levy fazem Bolsa subir e dólar cair

Possível substituição do atual ministro da Fazenda por Henrique Meirelles mudou direção dos mercados de ações e de câmbio

Paula Dias, O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2015 | 14h00

(Atualização às 18h35)

O baixo volume de negócios foi a principal característica dos mercados de câmbio e de ações nesta terça-feira, 10. O dólar chegou a subir 0,88% pela manhã, mas perdeu fôlego e rondou a estabilidade durante toda a tarde. Nos últimos minutos de negociação, a moeda inverteu a tendência e fechou a R$ 3,7789, com baixa de 0,30%. 

A leve recuperação do real foi alimentada pelo fortalecimento dos rumores de saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que seria substituído pelo ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, com o aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pela manhã, os investidores se retraíram por cautela com indicadores negativos na China e incertezas com a economia brasileira. À tarde, o Banco Central ofertou US$ 500 milhões em dois leilões de linha. Mas a influência desses fatores nas cotações foi bastante limitada.

No cenário político, causou desconforto a derrota sofrida por Joaquim Levy, com a redução do corte de R$ 30,5 bilhões para o limite das operações do Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Com a reabertura de financiamentos ao setor automotivo, o valor foi reduzido para R$ 27,5 bilhões, contra a vontade do ministro. 

No âmbito do Congresso, os temores dos investidores estiveram relacionados às votações esperadas para esta semana. O líder do DEM na Câmara, deputado Mendonça Filho (PE), disse que a oposição usará todos os mecanismos para tentar obstruir a votação do projeto de Lei da Repatriação, marcada para esta quarta-feira, 11, e da Medida Provisória 688, sobre riscos hidrológicos, prevista para ir ao plenário nesta terça-feira. 

Bolsa. Depois de operar em terreno negativo durante todo o dia, a Bovespa ganhou fôlego no final dos negócios e fechou praticamente estável, em alta de 0,03%, aos 46.206,56 pontos e R$ 4,680 bilhões de giro financeiro. Na mínima do dia, o Ibovespa - principal índice de ações do mercado brasileiro - chegou a cair 1,73%. A inversão da tendência no final do dia pôde ser vista mais claramente pelas ações dos bancos, que eram destaque de queda à tarde e passaram a subir no final dos negócios. As ações preferenciais (com prioridade no recebimento de dividendos) do Itaú Unibanco fecharam em alta de 2,03%. Os papéis ordinários (que dão direito a voto) do Banco do Brasil subiram 0,88%.

Na China, a inflação no varejo ficou abaixo do esperado, o que trouxe preocupação e especulação sobre a possibilidade de adoção de novas medidas de estímulo. Nos EUA, a agenda de indicadores foi mais fraca, mas as bolsas seguiram com pequenas baixas na maior parte do tempo, ainda refletindo em boa parte a expectativa de que o Federal Reserve inicie o aperto monetário ainda em 2015.

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