Dólar pega embalo no exterior e fecha em alta de 0,74%, para R$ 2,86

Incertezas sobre as negociações em torno da dívida da Grécia prevaleceram e ajudaram a moeda americana a subir em relação a diversas divisas; depois de oscilar, Bovespa fechou em leve alta

Clarissa Mangueira, O Estado de S. Paulo

19 Fevereiro 2015 | 10h46

Texto atualizado às 18h40

O dólar fechou em alta pela terceira sessão seguida nesta quinta-feira, acompanhando o avanço registrado ante outras moedas no exterior, como resultado das incertezas sobre as negociações da dívida grega. Movimentos especulativos e o giro baixo nesta semana encurtada pelo feriado de carnaval contribuíram para alta da moeda, segundo profissionais do mercado. No fim dos negócios, o dólar à vista subiu 0,74%, para R$ 2,8650. O dólar abriu a sessão oscilando ente perdas e ganhos, mas se firmou em alta e bateu máximas já na primeira hora de negócios, ajudado pela saída de recursos de cerca de US$ 50 milhões que seriam da Petrobrás, disse uma fonte.

O avanço do dólar no exterior ante o euro acabou favorecendo de desempenho da moeda dos EUA ante outras divisas como o real. O euro foi pressionado pelas tensões entre a Grécia e outros países da zona do euro. No início da sessão, o governo grego disse que apresentou formalmente um pedido para estender em seis meses seu acordo de crédito.

Já a Bovespa fechou praticamente estável, em alta de 0,03%, depois de cair durante a maior parte do pregão. A semana mais curta depois do feriado do Carnaval reduziu o volume de negócio. No setor corporativo do Brasil, as ações da Vale e da Petrobrás terminaram a sessão em queda. Os papéis da mineradora recuaram pressionadas pelo cenário difícil para a empresa em razão da trajetória declinante do preço do minério de ferro, disseram operadores consultados pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Vale ON recuou 2,69% e Vale PNA, 2,51%). Petrobrás ON perdeu 3,12% e Petrobrás PN, 3,66%. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras só no final da próxima semana. 

Grécia. O novo governo de Atenas, liderado pelo Syriza, está tentando firmar um pacto de financiamento de curto prazo com seus credores europeus antes que o atual programa de resgate, de 240 bilhões de euros (US$ 273 bilhões), vença no fim deste mês. Ao pedir a prorrogação temporária, a Grécia espera ganhar tempo para firmar um novo acordo de resgate de longo prazo para cobrir os quatro anos seguintes, que não inclua muitas medidas de austeridade.

A notícia impulsionou a alta das bolsas internacionais e dos juros dos Treasuries. Mas o movimento perdeu força mais tarde, depois de a Alemanha rejeitar o pedido, afirmando que ele "não atende aos critérios determinados pelo Eurogrupo na segunda-feira".

As incertezas sobre as negociações na Europa, somadas à cautela diante da queda do petróleo e do cobre desde cedo, ajudaram o dólar a renovar máximas no fim da manhã. A moeda voltou a bater máximas sucessivas à tarde tanto no mercado à vista quanto no futuro, com profissionais do mercado citando que o giro baixo estava amplificando os movimentos da moeda norte-americana. Segundo ele, um fator especulativo também contribuiu para que o real registrasse uma desvalorização maior ante o dólar, em comparação com outras moedas de países emergentes e ligadas a commodities.

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