Dólar pode chegar a R$ 2 mesmo com aumento de reservas, diz economista

Mesmo com a atuação do Banco Central no mercado cambial, a cotação do dólar pode chegar a R$ 2,00, na avaliação do chefe do departamento de pesquisas econômicas globais do banco Goldman Sachs e autor da sigla Brics, Jim O'Neill. "Se não fosse pelo acúmulo de reservas, o dólar provavelmente chegaria a R$ 2,00 e talvez isso aconteça mesmo, de qualquer maneira", afirmou durante encontro com jornalistas nesta quarta-feira, em São Paulo. O'Neill evitou fazer projeções para o comportamento da moeda no curto prazo, mas disse acreditar na continuidade da valorização do real, afirmando que não há motivo para que ocorra um movimento no sentido oposto. Os jornalistas presentes insistiram, então, para que o economista apresentasse uma visão mais detalhada sobre o câmbio e explicasse se sua observação considerava a estabilidade da moeda no patamar atual ou uma redução. "Estive no mercado de câmbio durante muito tempo e uma coisa que sei que nunca ocorre é a moeda permanecer estável", brincou. O quadro atual do câmbio no Brasil foi, inclusive, citado por O'Neill como um dos pontos que fazem com que o País esteja passando pela volatilidade externa hoje de maneira mais confortável do que em situações semelhantes no passado. "Todos os Brics têm grandes quantidades de reservas (internacionais)", disse. Ele acrescentou que o volume de conta corrente conjunto do grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China corresponde a 5% ou 6% do PIB total desses países. "Fazendo uma brincadeira, os Brics estão emprestando dólar para os Estados Unidos, totalmente o contrário do que ocorreu em Breton Woods", comparou. O economista enfatizou que todos os países do Brics estão em uma situação econômica melhor hoje do que há cinco anos e destacou, além do balanço de pagamentos brasileiro, a quantidade de reservas da Rússia, que há menos de 10 anos passava por uma crise. "O mundo praticamente foi virado de cabeça para baixo." O'Neill disse ainda que se o mundo continuar crescendo e os países acumulando reservas, será preciso inventar uma maneira criativa para investir esses recursos. Ele citou como exemplo Cingapura, que vem intensificando os investimentos das reservas em ativos mais arriscados e no setor habitacional. "Esta semana, a China e a Coréia anunciaram medidas semelhantes e a Rússia provavelmente vai fazer o mesmo", previu. "Quando o Brasil estiver mais feliz com sua classificação de risco, poderá fazer isso também", acrescentou.

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