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Entenda por que o dólar está subindo tanto

Moeda americana voltou a superar barreira dos R$ 5; cenário externo impactado por EUA, China, Rússia e Ucrânia ajudam a explicar a alta

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2022 | 10h45
Atualizado 27 de abril de 2022 | 11h39

O dólar ultrapassou a barreira do R$ 5 nesta quarta-feira, 27, na quarta sessão seguida de alta ante o real - na terça, 26, fechou em R$ 4,9905, um aumento de 2,36% em relação ao pregão anterior - você pode acompanhar a cotação no conversor de moedas do Estadão. Por que o dólar está subindo? 

Analistas têm apresentado três pontos principais na alta recente do dólar: a pandemia de covid (com preocupações com os impactos de novos lockdowns na China), preocupações com a desaceleração da economia global (questão agravada pela invasão russa à Ucrânia),  e expectativa de alta mais rápida e intensa de juros nos Estados Unidos

China

Pequim iniciou testes em massa da população local e restringiu o movimento em certas partes da cidade, embora tenha registrado apenas 80 casos de covid-19 desde sexta, 22. O temor é que a capital chinesa acabe instituindo um lockdown mais amplo, similar ao que está em vigor em Xangai há mais de duas semanas.

Economia mundial e invasão à Ucrânia

Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou uma série de estatísticas que indicam um cenário turvo para o mundo todo – e a aceleração da inflação é uma das principais responsáveis por esse panorama. Além de reduzir a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global para este ano de 4,4% para 3,6%, o FMI também disse projetar que a inflação “se mantenha elevada por mais tempo do que previa anteriormente” tanto nos países emergentes quanto nos desenvolvidos. Em janeiro, o Fundo estimava que a alta dos preços neste ano ficaria em 3,9% nas economias avançadas e 5,9% nas emergentes. Agora, esses números passaram para 5,7% e 8,7%, respectivamente.

O documento do FMI destaca que problemas de abastecimento decorrentes da guerra na Ucrânia vão ampliar ainda mais as pressões que já vinham sendo registradas nos preços, principalmente em energia, metais e alimentos. O órgão também afirma que os gargalos de produção – que surgiram com a pandemia e são uma das causas da inflação – podem durar até 2023.

Na terça, 26, chefes da Defesa de 40 países, incluindo os EUA, reuniram-se na Alemanha e prometeram acelerar o esforço para deter a ofensiva da Rússia na Ucrânia e degradar sua máquina de guerra. Além disso, a Europa se mobiliza para diminuir o impacto do corte de gás natural da Rússia para a Polônia e a Bulgária, anunciada também na terça pela gigante de energia russa Gazprom.

Estados Unidos

O Federal Reserve, o banco central americano, anuncia a nova taxa de juros americana na próxima quarta-feira, 4, e a expectativa é de uma alta de 0,50 ponto porcentual. 

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