Dólar recua 0,64%, cotado a R$ 2,162

Acordo nos EUA, ata do Copom e alteração nos anúncio de leilões do Banco Central influenciaram queda

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

17 de outubro de 2013 | 17h17

O dólar encontrou nesta quinta-feira, 17, uma série de motivos para recuar ante o real, após a conturbada sessão anterior.

O acordo provisório alcançado nos EUA sobre o teto fiscal, a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e o esclarecimento do Banco Central sobre os anúncios dos leilões de swap conduziram o recuo da moeda americana no Brasil. Ainda assim, o dólar se manteve acima dos R$ 2,15 - patamar que passou a ser citado como "piso" para a moeda, sendo que abaixo disso o Banco Central, na visão de alguns profissionais, poderia repensar sua estratégia de intervenções.

No mercado à vista de balcão, o dólar encerrou em baixa de 0,64%, a R$ 2,1620. Este é o menor patamar de fechamento desde 14 de junho deste ano, quando terminou a R$ 2,1440. Na cotação máxima do dia, vista às 9h36, a moeda americana atingiu R$ 2,170 (-0,28%) e, na mínima, às 10h56, marcou R$ 2,1570 (-0,87%). No mercado futuro, o dólar para novembro registrava há pouco queda de 0,94%, a R$ 2,1690.

Desde cedo, o exterior trazia um viés de baixa para a moeda americana, em função do alívio com o acordo atingido no Congresso dos EUA sobre a questão fiscal no país. Na noite de ontem, o Congresso norte-americano aprovou, com margens confortáveis, um projeto para financiar o governo até 15 de janeiro e suspender o teto da dívida até 7 de fevereiro do próximo ano. O acordo seguiu para sanção do presidente Barack Obama já no início da madrugada, o que permitiu o retorno dos servidores públicos ao trabalho nesta quinta-feira.

Os dados de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA na última semana, que atingiram 358 mil, acima da previsão de 330 mil, contribuíram para o recuo do dólar, ao reforçarem a leitura de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) ainda não tem espaço para iniciar a redução de seus estímulos à economia.

No Brasil, a divulgação da ata da última reunião do Copom consolidou a percepção de que, no fim de novembro, a Selic retornará aos 2 dígitos, para 10% ao ano. Este fator, assim como ocorreu em sessões anteriores, também sustentou a baixa do dólar ante o real, com o mercado prevendo a entrada de mais recursos especulativos no País no curto prazo - a despeito de o fluxo cambial, conforme os dados mais recentes, ainda demonstrar fraqueza.

Para completar, perto das 10h30 da manhã o BC informou ao Broadcast que os anúncios de leilões de swap, que vinham saindo perto das 14h30, serão publicados agora entre as 19h30 e as 20h30. Ontem, esta questão gerou volatilidade no câmbio, porque o anúncio da operação de hoje saiu após as 20 horas - e não às 14h30 -, sem que o BC se pronunciasse sobre isso. De acordo com o BC, o novo horário obedece a um "ajuste operacional".

Para profissionais do mercado, ao esclarecer a questão, o BC reafirmou o compromisso do dia 22 de agosto, quando anunciou leilões diários de dólares até "pelo menos" o fim do ano. "Mas se o mercado (dólar) começar a voltar muito, ele pode começar a colocar menos nos leilões", comentou profissional de um banco, citando os R$ 2,15 como parâmetro. "Na verdade, o remédio do BC (os leilões diários para segurar o dólar) foi pesado. E ele tem a opção de mexer nisso", confirma Fernando Bergallo, gerente de câmbio da TOV Corretora. Hoje, após o BC informar a mudança de horário dos anúncios dos swaps, o dólar atingiu sua cotação mínima da sessão, abaixo dos R$ 2,16, para depois encerrar a R$ 2,1620.

Tudo o que sabemos sobre:
dólar

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.