Dólar recua com exterior, rolagens e IPOs

Aumento de rolagens de contratos dos derivativos de câmbio deve contribuir para cotações caírem

SILVANA ROCHA, Agencia Estado

29 de abril de 2013 | 10h05

O dólar abriu em queda no mercado doméstico, sintonizado com o recuo da moeda norte-americana no exterior. Um aumento das rolagens de contratos de derivativos de câmbio hoje e amanhã deve contribuir para o declínio das cotações, segundo operadores ouvidos pelo Broadcast. Os bancos e investidores estrangeiros, que apostaram na baixa do dólar e, por isso, estão vendidos líquidos em câmbio futuro, tendem a pressionar para um enfraquecimento da moeda norte-americana ante o real.

Amanhã, será definida a taxa Ptax de fim de abril, que servirá na quinta-feira para a liquidação do dólar com vencimento em 1º de maio na BM&FBovespa. Na quarta-feira os mercados interno e em vários países da Europa estarão fechados pelo feriado do Dia do Trabalho. Além disso, os agentes financeiros vão acompanhar hoje as duas ofertas iniciais de ações (IPO) na Bovespa, a da BB seguridade, de cerca de US$ 6 bilhões, e a da empresa Smiles, de cerca de R$ 1,132 bilhão (cerca de US$ 566,2 milhões).

No mercado à vista, o dólar abriu em baixa de 0,35%, a R$ 1,9920 no balcão. Até 9h40, a máxima ficou em R$ 1,9940 (-0,25%). No mercado futuro, às 9h41, o contrato de dólar para maio de 2013 recuava 0,30%, a R$ 1,9945, após iniciar a sessão, a R$ 1,9965 (-0,20%). Até esse horário, esse vencimento da moeda dos EUA oscilou de R$ 1,9920 (-0,42%) a R$ 1,9970 (-0,17%).

Em Nova York, no mesmo horário, o euro estava em US$ 1,3094, de US$ 1,3029 no fim da tarde de sexta-feira. O dólar recuava a 97,71 ienes, de 98,09 ienes anteriormente.

Na semana passada, o mercado de câmbio já embutiu expectativas de ingressos de recursos para os IPOs da BB Seguridade e da Smiles, o que levou o dólar a cair nas três sessões anteriores e a fechar na sexta-feira abaixo de R$ 2,00. O declínio da moeda norte-americana também respondeu ao crescimento do PIB dos Estados Unidos no primeiro trimestre pior que o esperado.

Ao longo desta semana, o calendário de indicadores e eventos prevê para a quarta-feira a divulgação dos números de emprego privado nos Estados Unidos assim como a decisão de política monetária pelo Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve. Há grande expectativa se o presidente do Fed, Ben Bernanke, ou outro membro da autoridade monetária irá apontar algum horizonte para o início da retirada dos estímulos à economia. Na sexta-feira passada, o crescimento de 2,5% do PIB norte-americano no primeiro trimestre decepcionou, uma vez que o mercado esperava uma expansão de 3,2%. O dado espalhou pessimismo pelos mercados, o que fez com que a maioria das bolsas globais terminasse em baixa, assim como o dólar.

Na quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) anuncia sua decisão de política monetária às 8h45, seguida por uma entrevista à imprensa do presidente da instituição, Mario Draghi, às 9h30. Já nesta sexta-feira saem os dados oficiais do mercado de trabalho nos Estados Unidos.

No Brasil, o debate sobre o rumo da política monetária também pode influenciar a formação de preço no mercado de câmbio, assim como o perfil do fluxo cambial diário e semanal.

No mercado internacional, a China informou no fim de semana que o lucro das indústrias no País registrou alta anual de 5,3% em março, segundo divulgou o Escritório Nacional de Estatísticas. Trata-se de uma forte desaceleração em relação à expansão de 17,2% registrada nos dois primeiros meses do ano. "A demanda em março não melhorou, os preços de venda continuam fracos e a base de comparação do ano passado é alta", comenta Wang Tao, economista do UBS. No acumulado do primeiro trimestre o lucro das indústrias avançou 12,1%, ante uma queda de 1,3% no primeiro trimestre de 2012.

Hoje, o dólar opera com viés de baixa no mercado de moedas. Às 9h51, o euro subia a US$ 1,3095, de US$ 1,3029 no fim da tarde de sexta-feira. O dólar estava em 97,72 ienes, de 98,09 ienes anteriormente.

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