Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Possível saída do Reino Unido da UE faz Bolsa cair 2%

Preocupações no cenário internacional afetaram papéis de empresas de materiais básicos na Bovespa; dólar teve dia de ajuste e registrou leve queda após três altas seguidas

Paula Dias, Lucas Hirata, Silvana Rocha, O Estado de S.Paulo

14 Junho 2016 | 11h06

A aversão a risco vinda do exterior voltou a incentivar as ordens de venda de ações e a Bovespa terminou o dia em queda de 2,04%, com o seu principal índice em 48.648,29 pontos. Os investidores operaram atentos ao noticiário vindo da Europa e Estados Unidos e, com a cautela predominante, os preços das commodities caíram e derrubaram papéis de empresas de materiais básicos, como Petrobrás e Vale.

O receio quanto aos efeitos negativos de uma eventual saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) voltaram a determinar a queda das bolsas da Europa. Nesta terça-feira, 14, uma nova pesquisa indicou vantagem, de 7 pontos, dos partidários da saída do país bloco econômico. O mercado norte-americano também foi afetado pela expectativa em torno do Brexit. Além disso, os investidores aguardam para amanhã a decisão de política monetária do Federal Reserve e a entre coletiva que a presidente da instituição, Janet Yellen, que poderá dar pistas sobre quando o Fed vai começar a elevar os juros.

O movimento de aversão a risco voltou a fortalecer o dólar e a enfraquecer as commodities. O minério de ferro teve queda de 1,9% no mercado chinês. A baixa favoreceu as queda de 3,75% e de 2,48% de Vale ON e PNA, respectivamente. Na mesma sintonia, o petróleo caiu 0,79% na Nymex (US$ 48,49 o barril WTI para julho) e 1,03% na Ice (US$ 49,83 o barril do brent para agosto). Assim, contribuíram para a desvalorização das ações da Petrobrás, que recuaram 3,14% (ON) e 3,71% (PN), respectivamente.

A queda na Bolsa brasileira foi generalizada. Entre as 59 ações que compõem a carteira teórica do Ibovespa, apenas Smiles ON escapou do movimento, com tímida alta de 0,65%. Já Usiminas PNA recuou 5,65% e foi a maior queda do Ibovespa, refletindo o desempenho negativo do setor de mineração e siderurgia, bastante sensível a sinais de desaceleração econômica. CSN ON recuou 4,71% e foi a segunda maior perda do índice. Ações dos setores financeiro e elétrico também foram destaque de baixa nesta terça-feira. As quedas dos bancos foram lideradas pelas units do Santander, que caíram 4,07%. No setor elétrico, Cesp PNB recuou 3,86%. Com o resultado deste pregão, o Ibovespa reduz a alta acumulada em junho para 0,37% e a de 2016, para 12,22%.

Câmbio. O dólar virou para o lado negativo no finzinho da sessão com vendas puxadas pelo mercado futuro, após a moeda passar a tarde toda em alta, segundo operadores de câmbio. "Houve uma venda de cerca de US$ 100 milhões no mercado futuro no final, algo pontual, que puxou a baixa do dólar à vista", disse um executivo de uma corretora.

Antes da virada final, a moeda à vista computava ganhos, reagindo à aversão ao risco no exterior e à cautela decorrente da incerteza sobre medidas econômicas, desdobramentos da crise política envolvendo lideranças do PMDB e a Lava Jato e atuação do Banco Central sob o comando de Ilan Goldfajn, segundo operadores do mercado. 

A moeda americana abriu em alta, já refletindo a tendência do Dollar Index, e atingiu máxima de R$ 3,5147 (+0,93%) no mercado à vista logo em seguida. Este patamar de preço atraiu ingresso de dólares pela via financeira e de exportadores e também vendas de outros players para realização de lucros, tendo em vista a alta acumulada até então de 5,22% desde quinta-feira passada, disseram as fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço de informações da Agência Estado.

Pontualmente, a cotação chegou a cair pela manhã, mas retomou o sinal positivo após o meio-dia, paralelamente à ampliação das perdas da Bovespa na esteira da desvalorização de commodities, como petróleo, cobre e minério de ferro. 

Para um operador de uma corretora, a queda durante a manhã foi pontual e direcionada por fluxo financeiro positivo decorrente das captações corporativas recentes. No entanto, segundo ele, prevaleceu a busca por proteção, com compra de dólar, antes do anúncio do Fed amanhã e da votação no Reino Unido na semana que vem sobre a permanência ou não do país na União Europeia. 

A moeda no mercado à vista terminou cotada a R$ 3,4801, com baixa de 0,06% no balcão. A mínima pela manhã foi de R$ 3,4576 (-0,71%). O giro total somou cerca de US$ 1,076 bilhão. A taxa Ptax desta terça-feira fechou em alta de 0,89%, aos R$ 3,4839. 

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