Dólar reduz alta com leilão de swap do Banco Central

Moeda norte-americana abriu em alta de 0,41%, cotada a R$ 2,1830, mas desacelerou com cotação do dólar futuro e com leilão do BC

Silvana Rocha, da Agência Estado,

23 de outubro de 2013 | 10h40

O dólar no mercado à vista abriu em alta de 0,41% nesta quarta-feira, 23, cotado a R$ 2,1830 no balcão. Por volta de 10h26, a moeda norte-americana testou uma mínima de R$ 2,1790 (+0,23%). A desaceleração de preço à vista ocorreu na esteira da perda de força do dólar futuro de novembro e foi atribuída por operadores de banco e corretora ouvidos pelo Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, a uma abertura em alta forte do dólar para novembro de 2013 e ao leilão diário de swap cambial. Na operação, o BC vendeu o lote integral de 10 mil contratos (cerca de US$ 500 milhões) distribuídos entre dois vencimentos. Esta operação equivale à venda de dólares no mercado futuro.

Duas fontes do mercado disseram que a emissão externa conjugada com recompra de títulos, anunciada mais cedo pelo Tesouro, está sendo avaliada pelo mercado, mas ainda não estaria determinando a formação de preço do dólar. O Tesouro demorou muito para anunciar essa operação, que costuma criar condições melhores para futuras captações corporativas no exterior. Várias empresas já fizeram emissões externas, citou um operador de um banco.

Contudo, a operação do Tesouro poderia favorecer uma nova emissão da Petrobras, a fim de complementar a necessidade de caixa para pagamento do bônus que cabe à empresa referente à aquisição do campo de Libra, na Bacia de Santos, comentou um operador de uma corretora. A Petrobras captou no início do ano quase US$ 11 bilhões e apenas uma parcela desses recursos foi internalizada. Ou seja, parte dos recursos que ficaram no exterior poderia vir a ser usada também para pagamento do bônus de Libra, disse a mesma fonte. O bônus total de Libra é de R$ 15 bilhões, sendo que a Petrobras responde por R$ 6 bilhões (aproximadamente US$ 2,7 bilhões pelo dólar a R$ 2,1820).

Vale destacar, porém, que uma nova emissão externa elevaria o endividamento da Petrobras, que poderia ultrapassar os 35% em relação ao patrimônio da companhia e seria um risco pois a empresa poderia perder o grau de investimento concedido por agências de classificação de risco.

Ao mesmo tempo, o discurso do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante evento em Cingapura, na Ásia, reafirmando o compromisso do BC com o controle rigoroso da inflação, reforça expectativas no mercado de continuidade da alta da Selic e do programa diário de leilões no mercado de câmbio, destacou um outro operador de corretora de câmbio.

Às 10h14, o dólar à vista estava em alta de 0,41%, a R$ 2,1830. No mercado futuro, o dólar para novembro subia 0,39%, a R$ 2,1865, após testar uma mínima a R$ 2,1860 (+0,37%) e uma máxima após a abertura, de R$ 2,1920 (+0,64%).

Segundo apurou o Broadcast em Brasília, a emissão externa do Tesouro hoje seria de um papel de dez anos, o Global 2025, e poderá alcançar um "benchmark size" de cerca de US$ 1,5 bilhão. Mas a expectativa é de que o valor alcance US$ 2 bilhões, informou uma fonte.

No mercado de câmbio, o viés de alta do dólar ante o real está alinhado à valorização da moeda norte-americana no exterior. Um movimento de realização de lucros nas bolsas na Ásia e na Europa favorece a recuperação parcial de perdas do dólar nesta quarta-feira. A moeda norte-americana operava há pouco em alta em relação ao euro, o iene e moedas ligadas a commodities em meio ao recuo de preço do petróleo e de alguns metais básicos.

Os investidores recompõem posições após os fortes ajustes da véspera decorrentes da perspectiva de continuidade dos estímulos do Federal Reserve após a criação de vagas nos EUA em setembro ter ficado abaixo do esperado. Além disso, a divisa dos EUA ganha impulso, pressionado pela possibilidade de que a China aperte a política monetária em breve.

Estrategistas do Société Générale destacaram que o Banco do Povo da China (PBOC, o banco central do país) drenou 44,5 bilhões de yuans (US$ 7,2 bilhões) do sistema financeiro local desde 17 de outubro. Isso, junto com um aumento na taxa de juros de recompra de sete dias para mais de 4%, gerou temores de um aperto na política monetária chinesa, segundo os estrategistas.

Essa correção externa da divisa norte-americana assim como a perspectiva de rolagem parcial do vencimento de cerca de US$ 8,9 bilhões em swap cambial em 1º de novembro influenciam a formação de preço interna do câmbio, segundo operadores de câmbio ouvidos pelo Broadcast.

Na terça-feira, 22, à tarde, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o BC saberia controlar a entrada dos recursos de Libra, estimados em quase US$ 4,1 bilhões, e que o Banco Central "talvez" já possa atuar no mercado de câmbio cada vez menos.

O gerente de câmbio da Correparti, João Paulo de Gracia Corrêa, avalia que apenas se o dólar subir mais ante o real hoje do que em relação a outras moedas, o BC poderia aumentar o lote da rolagem de swap cambial, mas ainda assim não tende a rolar a totalidade desse vencimento. A desconfiança leva em conta o pequeno lote de contratos definido para a segunda tranche dessa rolagem, marcada para o início da tarde desta quarta-feira, 23.

Conforme as condições apresentadas ontem pela instituição, a operação de rolagem hoje terá oferta de até 20 mil contratos com vencimentos em 1/7/2014 e 1/10/2014, equivalentes a US$ 1 bilhão - mesmo volume ofertado e vendido integralmente ontem na primeira etapa deste certame. Se vender o lote total ofertado hoje, a autarquia colocará no mercado US$ 2 bilhões, que equivalem a apenas 22,5% dos US$ 8,9 bilhões desse vencimento. A autoridade monetária já anunciou antecipadamente uma terceira tranche dessa rolagem para amanhã, mas dificilmente será feita uma oferta no montante do que faltaria para completar integralmente essa rolagem, de cerca de US$ 7 bilhões, disse Corrêa.

A agenda de câmbio prevê ainda a divulgação, às 12h30, dos dados de fluxo cambial na semana até o dia 18 de outubro. Segundo Corrêa, ao mesmo tempo em que a oferta diária de swap pode limitar um ajuste positivo inicial do dólar, um aumento do desequilíbrio entre entradas e saídas de recursos do País poderá gerar pressão de alta adicional sobre a moeda norte-americana.

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