Dólar renova máxima em 4 anos, apesar de 3 ações do BC

No fim dos negócios, a cotação da moeda norte-americana saltou 2,45%, para R$ 2,2590, nível mais alto desde 1º de abril de 2009

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

20 de junho de 2013 | 17h30

Nem mesmo três atuações do Banco Central (BC) no mercado cambial conseguiram segurar o dólar nesta quinta-feira, 20. A moeda norte-americana terminou com forte avanço de 2,45% no mercado à vista, cotada a R$ 2,2590. É o maior patamar de fechamento desde 1º de abril de 2009, quando encerrou a R$ 2,2810. De novo, incentivaram o movimento a pressão de alta no exterior, em meio à perspectiva de redução da liquidez global, e a desconfiança dos investidores em relação ao Brasil.

O dólar operou com valorização durante todo o dia. Na mínima, às 9h24, foi negociado a R$ 2,2220 (+0,77%) e, na máxima, às 11h33, atingiu 2,2760 (+3,22%). Perto das 16h30, a clearing de câmbio da BM&F registrava giro financeiro de US$ 2,966 bilhões. No mercado futuro, o dólar para julho era cotado a R$ 2,2595, com ganho de 1,16%.

Logo cedo, a pressão de alta do dólar atingia todos os mercados. Os investidores ainda reagiam à decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e ao discurso do presidente da instituição, Ben Bernanke, na véspera. Ao praticamente definir um cronograma de retirada dos estímulos à economia dos EUA, ao dizer que há consenso entre os membros do Fed para a redução das compras de ativos ainda neste ano, Bernanke acirrou a busca por dólares, em detrimento de ativos de maior risco, como as ações. "E os dados da China divulgados hoje acabaram potencializando o efeito do Fed", acrescentou um operador da mesa da câmbio de um grande banco.

O índice de atividade industrial (PMI) da China atingiu o nível mais baixo em nove meses, caindo de 49,2 em maio para 48,3 em junho, segundo leitura preliminar do HSBC. Um jornal local também afirmou que o crescimento de 7% é a nova meta do governo chinês - e não mais os 7,5% anunciados em março.

Neste cenário de arrancada do dólar, o BC anunciou um leilão de swap cambial (equivalente à venda de dólares no mercado futuro) para as 9h30 e, posteriormente, dois leilões de linha (venda de moeda com compromisso de recompra) para as 12h20 e as 12h35. No caso do swap, o resultado financeiro foi de US$ 2,986 bilhões e, nas duas operações de linha, de US$ 3 bilhões.

A injeção de moeda no sistema acalmou um pouco os negócios, mas o dólar se manteve em forte alta ante o real, ainda na casa dos 2% no início da tarde. Ao longo do dia, voltaram a circular pelas mesas de operações rumores de que o governo poderia fazer uma reforma ministerial, que incluiria a equipe econômica. Aos poucos, a moeda norte-americana foi, inclusive, se reaproximando das cotações máximas da manhã, para depois desacelerar parte dos ganhos na reta final.    

"Isso é péssimo para a inflação", alerta Fabio Silveira, diretor de pesquisa econômica da GO Associados. "Por mais que caia o preço de commodities no mercado internacional, isso é inflação na veia", acrescentou. Para ele, o BC enfrenta hoje um cenário conturbado e a saída não é simples. "Parece claro que o plano do BC era subir a Selic e deslocar a banda do dólar para R$ 2,10 ou R$ 2,15. Mas isso está se mostrando insuficiente, porque o capital não está vindo", disse.

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