Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Dólar retoma patamar de R$ 3,15 e Bolsa reverte perdas na semana

Mesmo com entrada de recursos no País, moeda fechou em alta pelo 2º dia seguido; Bovespa voltou ao nível dos 64 mil pontos e avançou 0,66%

Lucas Hirata, Paula Dias, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2016 | 19h05

O dólar comercial à vista fechou em alta pelo segundo dia consecutivo e terminou a sessão a R$ 3,1564, um avanço de 0,42%. A entrada de recursos no País por conta dos processos de repatriação e do investimento estrangeiro, que levaram a moeda ao menor valor desde julho de 2015 no início da semana, foram ofuscados pelo cenário externo. Nesta quinta-feira, 27, o volume de negócios somou US$ 1,530 bilhão de acordo com dados registrados na clearing da BM&FBovespa. Nas duas últimas sessões, o dólar acumula ganhos de 1,54%.

Lá fora, prevaleceu a cautela em meio à perspectiva de que as principais economias do mundo podem estar se preparando para reduzir os estímulos monetários, ao mesmo tempo em que firma-se a aposta de elevação de juros nos EUA ainda em 2016. Nas máximas, o dólar à vista chegou aos R$ 3,1608 (+0,56%) à tarde, e o futuro para novembro tocou R$ 3,1770 (+1,10%).

Por aqui, o ganho da divisa norte-americana foi limitado - e chegou a ser revertido de manhã - pelo fluxo positivo decorrente da lei de regularização de capital mantido no exterior. Nas mínimas, dólar à vista atingiu R$ 3,1283 (-0,48%) e o futuro para novembro tocou R$ 3,1305 (-0,38%).

Mercado de ações. A Bovespa se apoiou principalmente em ações de bancos e retomou hoje a trajetória de alta, subindo 0,66%, aos 64.249,50 pontos. O ganho superou a perda de 0,44% acumulada nos três pregões anteriores, marcados por realizações de lucros localizadas e ações específicas. Resultados corporativos promissores e o cenário interno favorável foram determinantes para manter o apetite do investidor pela renda variável. Os negócios somaram R$ 8,08 bilhões.

As bolsas americanas oscilaram em torno da estabilidade durante a maior parte do tempo, principalmente à tarde, e acabaram por exercer influência quase nula, segundo operadores. Em meio à safra de balanços trimestrais, o mercado americano também se prepara para a reunião de política monetária do Federal Reserve, na próxima semana. Devido à proximidade das eleições nos Estados Unidos, no entanto, as chances de uma elevação de juros em novembro são consideradas remotas. 

Já o petróleo teve alta firme, apesar de incertezas quanto ao acordo de países produtores. O Iraque anunciou que vai pedir para ficar de fora do acordo anunciado em setembro pela Opep, com a justificativa de que a guerra contra o Estado Islâmico não permite ao país reduzir sua produção, limitando a entrada de capital. O pedido será analisado em reunião entre amanhã e sábado. Ainda assim, a commodity recuperou as perdas dos últimos dias e fechou em alta nas bolsas de Londres e Nova York. As ações preferenciais da Petrobrás fecharam com alta de 0,21% (ON), enquanto as ordinárias ficaram próximas da estabilidade, em baixa de 0,06%.

Responsáveis por mais de 25% da composição do Ibovespa, as ações de bancos foram grande destaque no pregão desta quinta, tendo Banco do Brasil ON à frente, com alta de 5,12%. Os papéis vinham operando em baixa desde o início da semana e, segundo operadores, voltaram a ficar atrativos para o investidor. Para isso, teriam contribuído o avanço da PEC do Teto e o balanço positivo do Santander. Itaú Unibanco, que divulga resultado na próxima semana, subiu 2,14%.

Com o balanço mais aguardado da semana, as ações da Vale mostraram algum fôlego hoje. Os papéis já vinham num rali de ganhos nos últimos dias, antecipando um resultado trimestral positivo, confirmado hoje. A mineradora saiu de um prejuízo de US$ 2,1 bilhões no terceiro trimestre de 2015 para um lucro líquido de US$ 575 milhões no mesmo período de 2016. O Ebitda ajustado cresceu 61%, para US$ 3,023 bilhões. Apesar da antecipação do resultado, que ficou 33% abaixo do esperado pelo mercado, Vale ON fechou em alta de 1,06%. Vale PNA virou no final dos negócios, para uma baixa de 0,38%.

 

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