Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Dólar se descola do exterior e recua; Bolsa sobe 1,18%

Em movimento de correção após chegar ao patamar de R$ 4,14 na véspera, dólar recua e é cotado a R$ 4,1197

Reuters

29 Agosto 2018 | 17h56

 O dólar acabou descolado do mercado externo e terminou a quarta-feira, 29, em queda ante o real, num movimento de correção após a moeda ter encerrado os negócios nesta terça-feira cotada a R$ 4,14. O dólar recuou 0,43%, a R$ 4,1197 na venda, depois de bater a máxima de R$ 4,1646 logo na abertura. Na mínima, a moeda foi a R$ 4,1127, perto do fechamento. Já a Bolsa teve alta de 1,18%, puxada pelas altas de Petrobrás, Eletrobrás e de papéis do setor financeiro.

“A ausência de notícias sobre as eleições e o fato de o dólar estar esticado favoreceram o ajuste”, comentou um profissional da mesa de câmbio de uma corretora local.

Na véspera, a moeda norte-americana terminou no segundo maior valor do Plano Real e seguiu pressionada nos primeiros negócios desta sessão. Depois de muito vaivém entre altas e baixas, no entanto, acabou firmando trajetória de baixa e se descolando do exterior, onde subiu ante a grande maioria das divisas de países emergentes.

O anúncio do Banco Central de que pretende rolar integralmente os US$ 2,150 bilhões em linha —venda de dólares com compromisso de recompra— que vencem em 5 de setembro contribuiu para o movimento, uma vez que o BC retira qualquer pressão adicional sobre o câmbio por causa de dúvidas sobre esse vencimento.

“Com o leilão de linha, o BC dá uma sinalização de que está de olho no mercado e vai entrar se necessário”, afirmou a estrategista de câmbio Fernanda Consorte, do Banco Ourinvest.

Nesta sessão, a autoridade ofertou e vendeu integralmente 4,8 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, rolando US$ 5,04 bilhões do total de US$ 5,255 bilhões que vence em setembro.

Se mantiver essa oferta na quinta-feira e vendê-la integralmente, terá feito a rolagem integral.

A autoridade, no entanto, não falou nada sobre a rolagem de outubro, que totaliza US$ 9,801 bilhões.

“Mas ninguém no mercado imagina que o BC não fará essa rolagem, não criaria essa pressão”, acrescentou o profissional citado acima.

No início dos negócios, o dólar ainda mantinha trajetória indefinida diante da cautela eleitoral, com os investidores aguardando pesquisa de intenção de votos do DataPoder360 que, no entanto, cujos números só serão divulgados a tempo de serem repercutidos no pregão de quinta-feira.

Além disso, o dólar subia ante a maioria das divisas emergentes no exterior. Ante a cesta de moedas, entretanto, o dólar caía no final da tarde.

“Está muito volátil, sem saber para onde ir”, explicou Fernanda, no início da tarde, ao se referir à indefinição do cenário eleitoral, com o candidato preferido do mercado, Geraldo Alckmin (PSDB), patinando nas pesquisas e a possibilidade de um segundo turno com a participação do PT. 

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