Dólar sobe para R$ 3,11 com influência do cenário externo

Dados sobre a economia dos Estados Unidos reforçaram apostas de aumento dos juros, enquanto as preocupações com o futuro da Grécia trouxeram incerteza

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2015 | 17h39

O avanço do dólar ante várias divisas no exterior abriu espaço para a alta do dólar ante o real nesta sexta-feira. O movimento foi influenciado por dados positivos sobre a economia americana, que elevaram as apostas de aumento de juros nos EUA, e pelas persistentes preocupações com o futuro da Grécia na zona do euro. 

O dólar à vista de balcão fechou em alta de 0,32%, aos R$ 3,1150. Na mínima do dia, às 9h15, a moeda chegou oscilar no território negativo, na mínima de R$ 3,0930 (-0,39%). Mas depois disso a tendência de alta se sobrepôs e o dólar foi até a máxima de R$ 3,1260 (+0,68%) às 11h28. Da mínima para esta máxima, a oscilação foi de +1,07%. Perto das 16h30, o dólar para julho - o mais líquido e que fecha apenas às 18 horas - tinha ganhos de 0,84%, aos R$ 3,1365. Na semana, o dólar recuou 1,11% e, no acumulado do mês, caiu 2,20%. 

Pela manhã, alguns números divulgados nos EUA reforçaram as apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode subir juros nos próximos meses, talvez já em setembro. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla e inglês) subiu 0,5% em maio ante abril, pouco acima da previsão de +0,4%. Após este número, o dólar se fortaleceu no exterior e passou a registrar ganhos ante o real no Brasil. 

Depois, foi a vez da Universidade de Michigan informar que seu índice de sentimento do consumidor subiu 94,6 em junho, acima da previsão de 91,5, o que fortaleceu ainda mais a busca por dólares.

Ao mesmo tempo, a decisão de o Fundo Monetário Internacional (FMI) em deixar as negociações com a Grécia, diante da incapacidade dos envolvidos em fazer avanços, pesou sobre o euro mais cedo e contribuiu para o avanço do dólar ante outras divisas. À tarde, o euro passou a sustentar ganhos, mas a moeda americana seguiu em firme alta ante divisas de países emergentes ou ligados a commodities.

Profissionais ouvidos pelo Broadcast disseram que, apesar do viés de alta para o dólar ante o real, a moeda novamente mostrou não ter tanto fôlego para alcançar patamares mais altos. Tudo porque, com a Selic elevada, permanece uma expectativa de fluxo positivo de capitais para o Brasil. 

Perto das 16h30, o giro do dólar à vista era de US$ 1,043 bilhão (US$ 1,005 bilhão em D+2) no Brasil, conforme a clearing de câmbio da BM&FBovespa, sendo que profissionais também citaram certo movimento de compra de dólares por importadores pela manhã, o que contribuiu para um dólar mais elevado. 

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