Dólar segue exterior e abre em queda, a R$ 2,2530

Movimento de baixa se deveu, em parte, à retirada da candidatura ao Federal Reserve, o banco central dos EUA, de Lawrence Summers

Luciana Antonello Xavier, da Agência Estado,

16 de setembro de 2013 | 09h32

O dólar perde força ante as principais divisas nesta segunda-feira, 16, e o mesmo se repete ante o real na abertura, diante da decisão do economista Lawrence Summers de retirar seu nome da disputa para suceder Ben Bernanke como presidente do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. "Os mercados estão mais tranquilos hoje e por isso o dólar deve começar mais para baixo ante o real, à espera dos dados nos EUA", comentou há pouco o operador de banco de São Paulo.

Às 9h22, o dólar à vista no balcão estava na cotação da abertura, em queda de 1,23%, a R$ 2,2530. O dólar futuro para outubro caía 1,27%, a R$ 2,260.

A notícia chega na mesma semana em que o Fed realiza sua reunião de política monetária e pode anunciar o início da retirada dos estímulos monetários e traz ânimo também para as bolsas europeias e para as asiáticas, que fecharam em alta. Além disso, os mercados também amanheceram mais tranquilos por causa do acordo fechado entre a Rússia e os Estados Unidos, no sábado, para combate às armas químicas na Síria. Na agenda do dia, o investidor estará atento aos números do índice de atividade industrial Empire State, às 9h30, e de produção industrial nos EUA, às 10h15.

A ala de críticos de Summers vinha crescendo a cada dia, pois havia o temor de uma administração mais austera. Ainda assim sua decisão foi vista como surpresa pelos mercados, afirmam os economistas da Brown Brothers Harriman (BBH), de Nova York, em nota a clientes. E não é somente Summers que parece não assumir essa responsabilidade num momento em que o Banco Central americano se prepara para abandonar quase cinco anos de estímulos monetários. O ex-secretário do Tesouro Timothy Geithner também já avisou que não está interessado no cargo.

"(Janet) Yellen parece ter se tornado a candidata favorita de novo, mas outros candidatos em potencial parecem ser o ex vice-presidente do Fed Donald Kohn e a economista Christina Romer", avaliam os economistas do BBH. "Havia menos certeza sobre a perspectiva de políticas do Fed sob o comando de Summers do que com Yellen, que teve papel significativo nas políticas atuais do Fed e na comunicações", avalia o estrategista do Deutsche Bank John Horner, em nota a clientes.

A expectativa do mercado até sexta-feira, 13, era de que o Fed afirme esta semana que começará a reduzir o montante de compras de bônus e que isso poderia ocorrer em doses de US$ 15 bilhões a menos por mês, dos atuais US$ 85 bilhões mensais. Segundo levantamento do The Wall Street Journal, 66% dos 47 economistas que responderam ao questionário esperam por esse anúncio nesta reunião. A decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed será conhecida na quarta-feira, 18, quando Ben Bernanke também concederá entrevista coletiva.

Hoje, o BC realiza, das 9h30 às 9h40, leilão de 10 mil contratos de swap (equivalente à venda de dólares no mercado futuro) dentro de sua estratégia de injeção diária de liquidez. O BC também começará a rolagem de 135.300 contratos de swap que vencem em 1º de outubro. Esta rolagem ocorrerá de segunda a quarta-feira (dia 18). Hoje, serão oferecidos na rolagem 40 mil contratos, das 10h30 às 10h40; na terça-feira, outros 40 mil; na quarta-feira, 55,3 mil. As condições ainda serão anunciadas pelo BC.

Na sexta-feira, 13, o dólar fechou em alta de 0,35%, a R$ 2,2810. Na semana, a moeda acumulou queda de 0,83% e, no mês, recuo de 4,28%. No entanto, no ano o dólar já caiu perto de 12%. Às 8h50, o euro estava em US$ 1,3354, de US$ 1,3295 no final da tarde de sexta-feira, 13. O dólar estava em 98,89 ienes, de 99,39 ienes do final da tarde de sexta-feira. O dólar caía ante a maioria das moedas ligadas a commodities: dólar australiano (-0,36%); dólar canadense (-0,11%); rupia indiana (-1,01%); lira turca (-0,61%).

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