Dólar segue exterior e recua, depois de leilão diário do BC

Banco Central vendeu o lote integral de 10 mil contratos de swap cambial, no nono leilão desde o anúncio do programa de venda de contratos futuros

SILVANA ROCHA, Agência Estado

09 de setembro de 2013 | 09h56

SÃO PAULO - O dólar se mantém em queda em relação ao real na abertura do mercado de câmbio nesta segunda-feira, 9, após acumular perdas de 3,19% nas cinco sessões da semana passada. O ajuste negativo inicial acompanha o desempenho da moeda norte-americana ante divisas correlacionadas a commodities, que se beneficiam dos dados positivos sobre o comércio exterior na China. A queda é limitada, porém, pelo sentimento de cautela entre os investidores devido às incertezas sobre um ataque militar liderado pelos Estados Unidos na Síria e o início da retirada de estímulos à economia norte-americana.

No mercado à vista, o dólar abriu a R$ 2,300 (-0,30%) no balcão e, em seguida, testou uma máxima de R$ 2,3040 (-0,13%).

Após o leilão diário do Banco Central, o dólar à vista ampliou a queda. Às 11h26, foi registrada a mínima do dia até agora, em queda de 1% (R$ R$ 2,2840).

O BC vendeu o lote integral de 10 mil contratos de swap cambial para 2/1/2014. O volume financeiro da operação somou US$ 497,6 milhões. Este é o nono leilão de swap dentro do programa de venda desses contratos de segunda à quinta-feira, anunciado dia 22 de agosto.

O estrategista-chefe do banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, afirmou que as exportações chinesas surpreenderam favoravelmente, porém, as importações em geral decepcionaram, porque houve uma inesperada desaceleração das compras no exterior feitas pela China. "Um dado neutraliza o outro", observou. No fim de semana, o governo chinês informou que as exportações do país em agosto subiram 7,2%, em bases anuais, enquanto as importações desaceleraram para +7%, em bases anuais, menor que a alta de 10,9% em julho, mais ainda uma forte mudança na comparação com a queda de 0,7% vista em junho.

Apesar do recuo do dólar ante o real, o sentimento de cautela tende a prevalecer porque o Congresso dos EUA retorna hoje aos trabalhos após o recesso de verão. Os parlamentares deverão votar nesta semana sobre uma resolução que autoriza uma ação militar dos EUA contra a Síria. O presidente norte-americano, Barack Obama, deve conceder uma entrevista à imprensa hoje, antes de um pronunciamento televisionado que ele fará amanhã para defender um ataque à Síria em resposta ao suposto uso de armas químicas pelo regime de Bashar Assad contra civis.

A dúvida em relação ao início da redução de estímulos do Federal Reserve também continuará pesando nas decisões de negócios nos mercados. Na sexta-feira passada, o relatório do mercado de trabalho dos EUA (payroll) indicou que o país criou menos vagas de trabalho que o esperado em agosto e também houve redução do número de novos postos em julho. O anúncio fortaleceu a percepção de que o Federal Reserve pode adiar para o fim do ano o início da desmontagem de seu programa de estímulos, o que deverá ser definido na reunião de política monetária do Fed na próxima semana.

No mercado brasileiro, a pesquisa Focus, do BC, mostrou que a mediana das estimativas para o câmbio no final de 2013 permaneceu em R$ 2,36 ante a pesquisa anterior. Mesmo assim, o câmbio médio de 2013 se ajustou, passando de R$ 2,20 para R$ 2,21. Para o final de 2014, as previsões para o dólar também ficaram estancadas, em R$ 2,40. As projeções para o IPCA para 2013 foram reduzidas de 5,83% para 5,82%. Já para 2014, a mediana das previsões subiu levemente de 5,84% para 5,85%, mesma taxa vista um mês atrás.

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do País, as estimativas das instituições financeiras para 2013 subiram de 2,32% para 2,35%, após a elevação de 1,5% do PIB do 2º trimestre ante o primeiro. Para 2014, a mediana das previsões para a expansão do PIB diminuiu de 2,30% para 2,28% - quatro semanas atrás estava em 2,50%. Sobre a produção industrial, a Focus revelou um ajuste da mediana das expectativas para 2013 de 2,11% para 2,10% - um mês atrás estava em 2,08%. Para 2014, houve manutenção do patamar em 3,00%. A taxa Selic projetada para o fim de 2013 subiu de 9,50% para 9,75%.

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