Dólar sob pressão de indicadores e queda do juro dos Treasuries

Investidores ainda reagem aos fracos dados econômicos recentes e à forte queda do juro dos títulos do Tesouro dos EUA

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

27 de maio de 2011 | 09h14

O dólar segue pressionado, com investidores ainda reagindo aos fracos indicadores econômicos recentes e à forte queda do juro dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries). A pressão maior ocorreu no horário asiático, enquanto na Europa os investidores preparam-se para o feriado de segunda-feira no Reino Unido e nos Estados Unidos.

"O dólar experimentou uma onda de vendas, com a cobertura de posições vendidas no euro provocando compra de outras moedas nas trocas com a norte-americana", disse o vice-presidente sênior da divisão de câmbio do Mizuho Corporate Bank, Dai Sato, na Ásia.

Paralelamente, o franco suíço operou em disparada de alta, renovando máximas históricas contra o dólar e o euro, a 0,8534 franco e 1,2166 franco, respectivamente. Contra o dólar, a apreciação espelhou a reação dos investidores à fragilidade demonstrada pela economia dos EUA e consequente queda do juro do note de 10 anos para uma mínima em 2011. Frente ao euro, o movimento foi puxado pela divulgação do índice de indicadores antecedentes, o qual mostrou que a economia suíça está firme e que deve continuar crescendo nos próximos meses.

Às 9h17 (de Brasília), o euro operava a US$ 1,4261, de US$ 1,4143 no final da tarde de ontem. O dólar caía para 81,22 ienes, de 81,28 ienes ontem. O dólar operava a 0,8564 franco.

"Após o juro do note de 10 anos ter caído abaixo de 3,1%, o mercado manterá forte atenção aos próximos desdobramentos", acrescentou Sato.

As taxas de juro dos Treasuries cedem desde ontem, diante dos números sobre o PIB e sobre o emprego ontem e refletindo o resultado de mais um leilão de grande demanda pelos papéis do Tesouro norte-americano. Ontem, o Tesouro vendeu US$ 29 bilhões em notes de sete anos pagando o menor rendimento deste ano. O leilão foi apenas um entre outros feitos nesta semana, que indicaram o forte interesse dos investidores em se protegerem nos papéis do governo dos Estados Unidos. O rendimento pago nos leilões de notes de cinco anos e de dois anos foram os menores desde novembro. O leilão de notes de cinco anos atingiu a melhor taxa de ofertas feitas e aceitas (indicador de demanda) desde setembro de 1994.

Mas apesar da presente indicação de queda do dólar, analistas dizem que a melhor esperança nesse momento é por volatilidade, já que os fatores que movem os mercados atualmente são bastante conflitantes. Embora a economia dos EUA mostre fraqueza, a sinalização mais forte até o momento é de que o Fed não irá lançar um terceiro programa de flexibilização quantitativa, após o vencimento em junho do programa número dois - o que, teoricamente, pesa contra o euro. Também desfavorável ao euro é a situação na Europa, especificamente da Grécia.

Outra notícia que causa incômodo na Europa é o alerta da agência Standard & Poor's para a possibilidade de rebaixamento do rating do banco belga Dexia, em consequência de sua exposição à Grécia, e após suas ações terem sido suspensas da bolsa. As informações são da Dow Jones.

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