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Dólar sobe 0,2% e fecha cotado a R$ 3,79 com declarações de Trump

Principal índice de ações do País, o Ibovespa caiu 0,53% nesta terça-feira, 30, pressionado por perdas no setor financeiro

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2019 | 18h15

O dólar teve novo dia de valorização nesta terça-feira, influenciado pelo noticiário internacional. Com o noticiário local esvaziado, a liquidez seguiu baixa, indicando que os agentes estão evitando fazer apostas mais firmes antes do final da reunião da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e do Banco Central do Brasil, ambas nesta quarta-feira.

O dólar à vista fechou em alta de 0,22%, a R$ 3,7915, perto das máximas do dia. A queda expressiva das ações do setor financeiro, em um ambiente negativo nas bolsas internacionais, impôs perda de 0,53% ao Índice Bovespa nesta terça-feira, marcando 102.932,76 pontos.

 

Negociações entre China e EUA serão 'duras'

Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a China e indicadores mistos da economia americana acabaram fortalecendo a moeda americana no mercado internacional, influenciando os negócios aqui.

Trump declarou que se for reeleito, as negociações comerciais com a China serão "duras". Mais tarde, falou que as conversas "estão indo bem".

Trump volta a pedir corte de juros

Além disso, Trump defendeu novamente um corte mais radical de juros pelo Fed. Investidores também monitoraram uma série de indicadores divulgados hoje nos EUA. Um deles, a confiança do consumidor, veio bem melhor que o previsto, ajudando a reforçar a visão de que o ciclo de corte de juros na economia americana pode não ser tão intenso.

"Enquanto permanece o debate sobre o tamanho da primeira redução, o mercado continua a precificar com a certeza de 100% de que haverá um corte", afirma a economista da corretora Stifel, Lindsey Piegza.

Para os estrategistas do Rabobank, o Fed deve cortar os juros em 0,25 ponto porcentual, mas os fluxos de capital para emergentes em busca de retorno maior, que ajudaria a valorizar estas moedas, não devem repetir o que ocorreu em outros períodos. Para eles, as negociações comerciais entre a China e os EUA devem manter os investidores em alerta e limitar maiores movimentos, na medida em que um acordo entre as duas maiores economias do mundo não deve ser alcançado em breve.

Investidores realizam lucros com bancos

Entre as ações do setor financeiro, Itaú Unibanco, papel de maior peso na composição do Ibovespa (10,2%) foi justamente a maior perda, com -3,32%. A cautela com os dados de crédito e inadimplência do setor financeiro contribuiu para que o setor apresentasse queda generalizada. Bradesco ON e PN recuaram 1,74% e 2,07%. As units do Santander perderam 3,10%. Entre os índices setoriais, o Ifinanceiro (IFNC) foi o único a apresentar queda hoje, de 1,08%.

"O sinal de baixa foi determinado pelas bolsas na Europa e Estados Unidos e foi potencializado por uma realização de lucros mais forte das ações do setor financeiro. O balanço do Itaú Unibanco foi positivo, à exceção dos dados da carteira de crédito, que cresceu menos que o esperado", disse Vitor Miziara, gestor da Criteria Investimentos.

Na avaliação do profissional, o investidor vem aproveitando esses dias de espera para fazer ajustes em suas carteiras, levando em conta ações que estão mais descontadas. "Os bancos subiram mais, e mais rapidamente. O investidor agora está indo aproveitar o potencial de outros papéis, de empresas que ainda não apresentaram balanço", afirma.

Juros menores beneficiam economia real

Em contrapartida, o Índice Imobiliário (IMOB) subiu 1,74% e teve o melhor desempenho entre as carteiras setoriais. Outro destaque foi o Índice de Energia Elétrica (IEE), que subiu 0,94%. O índice que congrega ações de consumo e varejo (ICON) subiu 0,23%, mas ainda lidera as altas setoriais em julho, com ganho de 9,77%, muito acima do 1,95% do Ibovespa no acumulado do mês. Em todos esses casos, é a expectativa de corte de juros que estimula a aposta nesses papéis, ou pelo impacto positivo no endividamento das empresas ou pela expectativa de aumento do consumo.

Corte na Selic pode apreciar real

No caso do BC brasileiro, os economistas do Citibank, Leonardo Porto e Mauricio Une, acreditam que o possível corte de juros pela Banco Central nesta quarta-feira, aliado a aprovação da reforma da Previdência vai levar a uma apreciação do real. Eles preveem a moeda americana em R$ 3,68 ao final do ano e R$ 3,66 ao final de 2020, na ausência de choques externos. Para os economistas, a previsão de que a economia fiscal da Previdência deve ficar em R$ 750 bilhões já parece "conservadora". No cenário externo, o Citi não vê uma escalação da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos.

Na Bolsa, o recuo não foi maior graças ao desempenho positivo de ações de empresas de consumo, embaladas pela expectativa de serem beneficiadas por um corte da taxa Selic.

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