Dólar sobe 0,69% e fecha a R$ 2,189

Movimento foi influenciado pela notícia de que o Banco do Povo da China pode enxugar recursos nos próximos meses, em função dos sinais de melhora do cenário econômico

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

23 de outubro de 2013 | 17h13

Após leve recuo no pregão anterior, o dólar avançou no Brasil nesta quarta-feira, 23, em sintonia com outras praças e em meio à leitura de que o Banco Central (BC) deva fazer uma rolagem parcial de contratos de swap que vencem em 1° de novembro. As margens de oscilação, entretanto, foram estreitas, com a flutuação em torno de R$ 2,18 na maior parte do dia.

Os ganhos se aceleraram no final e o dólar no balcão subiu 0,69%, cotado a R$ 2,189, na máxima da sessão. Na mínima, marcou R$ 2,179 (+0,23%). No mercado futuro, o dólar para novembro tinha alta de 0,67%, negociado a R$ 2,1925.

Pela manhã, a notícia de que o Banco do Povo da China pode enxugar recursos nos próximos meses, em função dos sinais de melhora do cenário, repercutiu nos mercados. De acordo com o China Securities Journal, a intenção é evitar o excesso de liquidez, em um ambiente de confiança no crescimento econômico da China.

Ao mesmo tempo, investidores aproveitaram os ganhos mais recentes nas Bolsas de ações para realizar lucros, vendendo papéis, o que fortaleceu o dólar ante diversas divisas. "O Brasil acaba seguindo o exterior. Hoje é dia de realização de lucros nas Bolsas, com o dólar um pouco mais forte", comentou à tarde um profissional da mesa de câmbio de um banco. "Por aqui, também tem a questão da rolagem, com o mercado entendendo que o Banco Central não vai rolar todos os contratos que vencem em novembro", acrescentou.

À tarde, o BC vendeu os 20 mil contratos de swap oferecidos para rolagem, em um total de US$ 986,8 milhões. Na véspera, a instituição também havia vendido 20 mil contratos no âmbito desta rolagem. Como o BC indicou que faria a rolagem em três dias, espera-se mais um parcela nesta quinta, 24. O vencimento alcança US$ 8,9 bilhões e, até agora, apenas cerca de US$ 2 bilhões foram colocados, faltando aproximadamente US$ 6,9 bilhões (138 mil contratos).

Considerando a tendência mais recente de recuo do dólar, operadores afirmam ser pouco provável que o BC ainda os 138 mil contratos para rolagem. Com isso, os recursos sairiam do sistema, justificando um viés de alta para a moeda norte-americana.

No início da tarde, o BC divulgou ainda os números mais recentes do fluxo cambial, que apontaram saída líquida de US$ 4,479 bilhões do País em outubro até o dia 18. Na semana de 14 a 18 de outubro, houve saída líquida de US$ 140 milhões.

Tombini fala a investidores. Em apresentação a investidores em Cingapura, nesta manhã, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que o real foi a moeda de maior valorização no mundo desde o início da venda de dólares no mercado futuro e dos leilões no mercado à vista com compromisso de recompra. Essa medida foi tomada pela autoridade monetária no final de agosto.

Desde janeiro deste ano até o período mencionado, o preço do dólar cotado em reais havia subido mais de 19%. Foi para conter o movimento de desvalorização da moeda brasileira que o BC colocou em prática o programa.

A valorização do real entre o dia 28 de agosto (pico no ano, de R$ 2,43) e esta quarta-feira foi de a partir daí foi de 10,2%. Essa variação, portanto, foi inferior a observada entre janeiro e agosto.

Também nesta manhã, dentro da programação de intervenções diárias, o BC vendeu mais 10 mil contratos de swap, em operação equivalente à venda de dólares no mercado futuro. Neste caso, foram injetados US$ 495,3 milhões no sistema.

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