Dólar sobe 0,90% e encosta em R$ 2,92

Dólar sobe 0,90% e encosta em R$ 2,92

Moeda norte-americana registrou mais um dia de valorização e renovou a maior cotação desde setembro de 2004

Clarissa Mangueira, O Estado de S. Paulo

03 de março de 2015 | 10h28

Atualizado às 16h40

O dólar fechou em alta ante o real hoje, influenciado pelo pessimismo com a economia e pelas tensões políticas no Brasil, na contramão do exterior. No fim dos negócios, o dólar à vista subiu 0,90%, a R$ 2,9190 - maior nível de fechamento desde 3 de setembro de 2004. A alta acumulada em 2015 é de quase 10%.

A alta da moeda na primeira parte da sessão foi justificada pelas incertezas políticas e pela dinâmica do programa de swaps cambiais do Banco Central. A autoridade monetária iniciou ontem a rolagem dos swaps que vencem em abril. Como foram oferecidos 7.400 contratos no leilão de rolagem (US$ 370 milhões), se mantiver este ritmo até o fim do mês, o BC rolará 155.400 (US$ 7,770 bilhões) dos 199.270 (US$ 9,964 bilhões) contratos que estão para vencer - ou seja, 77,98% do total será renovado, mas 22,02% (US$ 2,194 bilhões) serão recolhidos do sistema. O BC realizou hoje o leilão de rolagem programado, com oferta de 7,4 mil contratos. Além disso, vendeu 2 mil contratos de swap (US$ 98,3 milhões) em sua oferta regular. 

Em dia de agenda de indicadores fraca no Brasil, os investidores resolveram monitorar a lista que o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, deve entregar hoje ao Supremo Tribunal Federal (STF) com os nomes dos parlamentares envolvidos na Operação Lava Jato. O ministro do STF Marco Aurélio Mello defendeu o fim do sigilo dos inquéritos da operação. "Penso que, na administração pública, a mola mestre é a publicidade. É o que viabiliza a eficiência, pelo acompanhamento da imprensa e pelo acompanhamento dos cidadãos em geral", disse, ao chegar para sessão das turmas do Supremo.

A ausência do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em jantar na noite de ontem, com a presidente Dilma Rousseff e a cúpula do PMDB, em um momento no qual o governo precisa de apoio para aprovar seu programa de ajuste fiscal, contribuiu para acentuar os temores nos mercados financeiros domésticos.

Os agentes estavam também cautelosos antes de reuniões de membros do governo com representantes das agências de classificação de risco, depois que o rebaixamento da nota da Petrobrás para grau especulativo suscitou preocupações sobre um corte do rating soberano. Os representantes da agência Standard & Poor's desembarcam amanhã em Brasília, onde se encontrarão com membros da área técnica do BC e do Ministério da Fazenda.

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