Dólar sobe 1,3% por exterior e resultado de leilão do BC

A moeda dos EUA encerrou a R$ 2,227, após duas sessões seguidas em baixa

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

25 de setembro de 2013 | 17h13

Após duas sessões em queda, o dólar subiu de forma consistente ante o real nesta quarta-feira, 25, influenciado por fatores externos e internos. As preocupações com a situação fiscal dos Estados Unidos e com o futuro da política de estímulos do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) impulsionaram a moeda norte-americana em todo mundo.

No Brasil, o movimento se intensificou com o resultado do leilão de swap (equivalente à venda de moeda no mercado futuro) feito pelo Banco Central (BC), que não vendeu os 10 mil contratos oferecidos. Para profissionais do mercado, ao recusar o lote integral, o BC sinalizou que não está disposto a vender dólares a qualquer preço e que pode estar satisfeito com um dólar acima de R$ 2,20.

O dólar à vista negociado no balcão encerrou o dia em alta de 1,37%, a R$ 2,227. A moeda permaneceu em terreno positivo toda a sessão. Na mínima, atingiu R$ 2,2060 (+0,41%) e, na máxima, marcou R$ 2,2340 (+1,68%). No mercado futuro, o dólar para outubro subia 1,16%, a R$ 2,2300.

Pela manhã, em meio às negociações no Congresso dos EUA para aprovação do Orçamento do ano fiscal de 2014, o dólar subia ante moedas de países exportadores de commodities, como o Brasil. As discussões têm gerado receios no mercado financeiro, já que o ano fiscal começa em 1º de outubro e a não aprovação pode significar uma paralisação do governo dos EUA.

Neste cenário, o BC brasileiro fez mais um leilão de swap cambial, dentro da programação de oferta diária anunciada em 22 de agosto. Mas, pela primeira vez no programa, a autoridade monetária fechou negócio parcialmente: o BC vendeu 9.650 dos 10 mil contratos oferecidos, injetando US$ 480,1 milhões no sistema.

"O leilão foi um sinal para o mercado", comentou um operador da mesa de câmbio de um grande banco. "O mercado entendeu o resultado como uma sinalização de que o BC não venderia mais moeda a qualquer preço."

Segundo o profissional, ao utilizar um corte maior no leilão, o BC também pode estar sugerindo que uma moeda acima do patamar visto na véspera - quando encerrou a R$ 2,1970 - "seria suficiente". "Se o mercado tentar ir para abaixo disso, o BC pode administrar a cotação com os leilões", acrescentou. "Me parece que, ontem, o pessoal estava forçando na venda, mas com o resultado de hoje entendeu que o BC vai administrar a moeda acima disso."

No início da tarde, o mercado também observou as falas do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e da presidente Dilma Rousseff, em evento para investidores em Nova York. Embora todos tenham abordado a questão cambial, os comentários não influenciaram diretamente as cotações.

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