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Dólar sobe 1,34% e volta a superar R$ 4 por cautela com eleições

Após subir 8,2% no mês de agosto, o dólar perdeu força em setembro e caiu 0,33%; a Bolsa caiu 0,82% nesta sexta-feira, para 79.342,42 pontos

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2018 | 18h17

Depois de subir 8,2% em agosto, o dólar perdeu força em setembro e caiu 0,33%. A moeda americana chegou a bater em R$ 4,20 no mês, a maior cotação do Plano Real, mas perdeu força nos últimos dias, com o cenário externo mais favorável a emergentes e um quadro um pouco mais claro nas eleições, com Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) se consolidando nas primeiras posições nas pesquisas de intenção de voto.

Na sessão desta sexta-feira, 28, a cautela prevaleceu na parte da tarde, antes da divulgação do levantamento do Datafolha previsto para a noite desta sexta-feira, e do último final de semana antes da votação nas urnas. O dólar à vista fechou em alta de 1,34%, aos R$ 4,0510, e, no ano, acumula ganho de 22%, a terceira moeda de país emergentes que mais perdeu valor ante o dólar, atrás do peso argentino (+122%) e da lira turca (+60%).

O dólar começou a sexta-feira em alta forte, acompanhando a valorização da moeda americana no exterior. Os investidores não gostaram da proposta orçamentária da Itália do novo governo, prevendo déficit de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB), acima do que o mercado esperava e três vezes maior que a gestão anterior previa.

Após a valorização inicial, o dólar perdeu força por conta da disputa pela formação da Ptax de setembro e do terceiro trimestre, que será usada na liquidação dos contratos futuros de câmbio, de swap cambial, além de ajustes nos balanços corporativos. Depois da definição do referencial, o tom de cautela predominou no mercado e o dólar voltou a subir. 

Para o diretor da CM Capital Markets, Fernando Barroso, o fato de Haddad estar sinalizando para uma postura mais moderada ajudou a retirar um pouco a pressão no câmbio. "As apostas em dólar ficaram menos agressivas depois que ele passou a flertar com o liberalismo", disse o executivo. Barroso ressalta, porém, que o risco de um governo do PT mais radical, com nomes que o mercado não gosta nas pastas de economia, não está precificado nas cotações atuais do dólar. Apesar do mercado mais calmo nos últimos dias, Barroso ressalta que pode vir volatilidade na semana final antes da eleição, que deve ter a divulgação de ao menos mais três pesquisas do Ibope e Datafolha, além das sondagens de instituições financeiras. 

Os estrategistas do Bank of America Merrill Lynch ressaltam nesta sexta-feira que para o dólar seguir em queda no Brasil, será essencial ver o resultado do primeiro turno das eleições. "O eleitorado brasileiro está muito dividido", afirma relatório do banco americano, mencionando a disputa acirrada entre Bolsonaro e Haddad. O BofA ressalta que os investidores vão monitorar nas próximas semanas as coalizões dos candidatos, além de querer maior clareza sobre as equipes econômicas e a agenda de reformas.

Ibovespa cai 0,82%

Depois de três altas consecutivas, o Índice Bovespa passou por um movimento de correção e caiu 0,82% nesta sexta-feira, para 79.342,42 pontos. Contribuiu para a queda o desempenho negativo das bolsas internacionais, ao mesmo tempo em que o investidor se mostrou mais cauteloso com o cenário eleitoral doméstico. Apesar da queda no dia e na semana, o índice encerrou setembro com alta de 3,48%, favorecida pelo aumento do apetite por risco no mercado externo.

O sinal de baixa na Bolsa brasileira foi determinado desde a abertura dos negócios, influenciado em parte pela queda das bolsas da Europa, em meio aos problemas fiscais na Itália. As bolsas de Nova York oscilaram em alta na maior parte do dia, mas perderam fôlego à tarde e terminaram o dia próximas da estabilidade.

Para Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da corretora Nova Futura, a queda desta sexta da Bolsa pode ser considerada uma realização de lucros recentes, deflagrada pelo cenário externo mais adverso e a cautela do investidor diante dos eventos do último final de semana antes do primeiro turno. 

"O mercado continua a apostar na vitória de Bolsonaro. Se houvesse um olhar mais benevolente com Haddad, como alguns afirmam, não teríamos tido essa queda nas ações da Petrobrás, uma vez que o candidato do PT já afirmou que irá mudar a política de preços da companhia", disse o economista.

Apesar das quedas de 1,10% (ON) e de 1,72% (PN), as ações da Petrobrás encerraram a semana com ganhos de 4,13% e 4,72%, respectivamente. Em boa medida, a alta foi gerada pela valorização do petróleo e pelo acordo com os órgãos americanos para encerrar ações judiciais contra a estatal, no âmbito da Operação Lava Jato.

Ainda na análise por ações, Vale ON subiu 0,57%, recuperando parte das perdas da véspera. Os papéis do setor financeiro tiveram pregão de perdas, alinhados aos seus pares no exterior. Banco do Brasil ON caiu 2,77%, refletindo também a maior percepção de risco político.

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