Dólar sobe 1,5% e fecha em R$ 2,45, o maior nível desde 2008

Pesquisa mostrou que a candidata Dilma Rousseff abriu 13 pontos de vantagem ante Marina Silva

Fabrício de Castro, Agência Estado

29 de setembro de 2014 | 09h52

Texto atualizado às 17h16

Esta segunda-feira foi marcada por ajustes em todo o mercado financeiro. Após a pesquisa Datafolha de sexta-feira mostrar fortalecimento de Dilma Rousseff (PT) ante Marina Silva (PSB) na corrida para a Presidência da República, com chances maiores de vitória da petista ainda no primeiro turno, o dólar subiu de forma consistente. Tudo porque a perspectiva de vitória de Dilma é mal vista por boa parte do mercado.  A Bovespa também foi impactada pelo cenário eleitoral e fechou com recuo de 4,52% - a maior queda porcentual em três anos. As ações da Petrobrás despencaram - o papel ON caiu 10,44% e o PN, 11,17%.

Assim, o dólar à vista negociado no balcão fechou acima dos R$ 2,45, em alta de 1,53%, aos R$ 2,4510. Este é o maior patamar de fechamento desde 9 de dezembro de 2008, pouco depois do estouro da crise mundial, quando marcou R$ 2,4720. 

O Banco Central manteve sua atuação diária no mercado de câmbio e vendeu os 4 mil contratos de swap cambial ofertados para os dois vencimentos, no valor total de US$ 197,5 milhões. A autoridade também vendeu 15 mil contratos em operação de rolagem de títulos que vencem em 1º de outubro de 2014 - a operação atingiu US$ 738 milhões.  

No início do dia, o dólar chegou a subir a R$ 2,4760 (+2,57%) no balcão, em meio aos ajustes em relação à pesquisa de sexta-feira. Naquele dia, o dólar havia recuado para os R$ 2,4140 (-0,66%) com investidores especulando que o Datafolha poderia ser favorável a Marina - e não a Dilma. 

No caso do Datafolha, a pesquisa mostrou que Dilma abriu 13 pontos em relação a Marina Silva no primeiro turno, elevando as chances de definição da disputa sem a necessidade de um segundo turno. A revista Veja trouxe nova reportagem sobre o suposto escândalo na Petrobrás. Só que o maior peso foi dado hoje para a pesquisa eleitoral e os investidores foram em busca de dólares.

Com o dólar oscilando acima dos R$ 2,47 no balcão, houve desaceleração, porque o preço ficou atrativo tanto para exportadores quanto para especuladores interessados em realizar lucros no mercado futuro. Com isso, houve venda de moeda e o dólar, no balcão, marcou a mínima de R$ 2,4440 (+1,24%) às 14h38. 

Juros. Naquele momento, as mesas de operação também já tinham, nas telas, comentários do diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton. Ao falar sobre o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado pela manhã, ele afirmou que "se for necessário e o cenário para a inflação se justificar, certamente o Copom vai nessa direção (alta de juros)".

Além disso, Hamilton afirmou que os movimentos no câmbio são considerados nas projeções da instituição e disse que "temos que ver como isso (a alta recente do dólar) vai evoluir". Hamilton disse ainda que o BC não questiona o fato de que o câmbio tem repercussão na inflação, mas certamente o repasse do câmbio é bem menor hoje do que era 10, 15 anos atrás. 

Mais cedo, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o IGP-M voltou ao território da inflação, após passar quatro meses no campo deflacionário, e subiu 0,20% em setembro, ante -0,27% em agosto. O resultado ficou abaixo do piso do intervalo das estimativas dos analistas, que iam de 0,25% a 0,45%, com mediana de +0,34%.

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