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Dólar sobe 1,51% e fecha cotado a R$ 3,23

Clima político tenso em Brasília e valorização da moeda americana no exterior influenciaram o movimento

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2015 | 17h13

SÃO PAULO - O dólar voltou a registrar ganhos firmes ante o real nesta sexta-feira, com os investidores de olho em Brasília. As dificuldades na relação entre o Planalto e sua base aliada voltaram incentivar a busca pela moeda americana hoje, assim como o exterior, onde o dólar avançava ante as demais divisas. 

O dólar à vista negociado no balcão subiu 1,51%, aos R$ 3,2360. Com isso, a moeda americana encerrou a semana com leve perda de 0,03%. Em março, porém, a moeda americana acumula ganhos de 13,31% e, no ano, avanço de 21,88%. No mercado futuro - o mais líquido e a principal referência para o câmbio brasileiro -, o dólar para abril tinha alta de 1,77% há pouco, aos R$ 3,2430. 

A moeda americana oscilou no terreno positivo durante todo o dia. Logo cedo, os investidores se posicionavam em dólares tanto aqui quanto no exterior, à espera dos dados do PIB americano do ano passado. As atenções também estavam voltadas para os números de crescimento do Brasil, após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informar que o País cresceu 0,1% no ano passado. 

O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções, que esperavam de queda de 0,20% a expansão de 0,20%, que resultou em mediana com variação zero. Já no quarto trimestre de 2014 houve alta de 0,3% do PIB ante o trimestre anterior, melhor que a mediana projetada de -0,10% (intervalo entre queda de 0,40% e alta de 0,40%).

Os números vieram um pouco melhores que o esperado, mas acabaram sendo relativizados. Isso porque as projeções do mercado ainda levavam em conta a metodologia antiga do IBGE - e os números efetivos foram divulgados com base na atualização das Contas Nacionais. 

Seja como for, o dólar até teria motivos para recuar em função do PIB "melhor". Mas os investidores se mostraram cautelosos em função do ambiente em Brasília. As notícias de que o presidente do Senado, Renan Calheiros, colocará em votação na próxima terça-feira projetos que não são de interesse do governo federal - como o que obriga a regulamentação da mudança de indexador das dívidas de Estados e municípios - ajudavam a sustentar os ganhos da moeda americana. 

No exterior, o dólar também subia, apesar de ter desacelerado um pouco os ganhos quando saíram os números do PIB dos EUA. Isso porque o crescimento do PIB no quarto trimestre do ano passado foi de 2,2% - igual ao da estimativa anterior e abaixo da previsão de que iria para 2,4%.  

Neste cenário, o dólar marcou a mínima de R$ 3,1890 (+0,03%) às 9h07 no balcão, para depois atingir o pico de R$ 3,2460 (+1,82%) às 11h43. À tarde, houve certa acomodação, mas ainda assim a moeda americana manteve ganhos firmes ante o real. 

No exterior, a expectativa era por um discurso da presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Janet Yellen, no fim da tarde. Nele, ela afirmou que a alta de juros nos EUA provavelmente ocorrerá este ano, mas que mudanças na política do Fed serão dependentes de dados.

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