Dólar sobe 2,90% na abertura, negociado a R$ 2,234

O dólar abriu em forte alta no pregão viva-voz da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). O primeiro negócio foi fechado a R$ 2,234, o que significa uma disparada de 2,90% em relação à taxa de fechamento ontem à tarde. Uma das incertezas que rondaram o mercado nos últimos dias, a situação de Antonio Palocci no Ministério da Fazenda, foi resolvida ontem, depois de o mercado financeiro ter encerrado as negociações. Palocci saiu do Ministério e, em seu lugar, já está o economista petista Guido Mantega. O outro fator que explica a volatilidade dos ativos, o destino da política monetária dos EUA, pode ser definido hoje. Ou seja, esta será uma terça-feira de cautela para o mercado financeiro doméstico que de um lado computará as avaliações sobre a escolha de Mantega e suas primeiras declarações e, de outro, deverá ser influenciado pelos movimentos internacionais em reação à decisão do Federal Reserve (banco central dos EUA) sobre o juro norte-americano e a sinalização que será dada pelo comunicado que acompanha a divulgação. Ontem, o mercado considerava Mantega o pior da lista de cogitados para assumir o Ministério em substituição a Palocci, que incluía também o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Murilo Portugal. O temor dos investidores deve-se, principalmente, às críticas que Mantega faz à condução da política monetária que, na avaliação dos analistas, geraria incertezas sobre a condução da economia como um todo. Porém, a primeira frase que Mantega proferiu publicamente já como ministro foi no sentido de esvaziar esses medos. Ele declarou que manterá a política econômica atual e acrescentou que o superávit primário será mantido. E já repetiu esse compromisso em entrevista esta manhã. No entanto, Mantega sinalizou com a possibilidade de trocar pessoas da equipe econômica e disse que é uma unanimidade a idéia de que os juros poderiam ser mais baixos. Ainda assim, fez questão de frisar que não se pode afrouxar no combate à inflação, que ajudou a construir a política que está sendo praticada e que a autonomia do BC será respeitada. Mantega ponderou também que o BC já está baixando o juro, mas destacou que o mercado não consegue resolver todos os problemas da economia e da sociedade. Ontem, o novo ministro comprometeu-se também com a manutenção do ajuste fiscal. Mantega também declarou que o atual regime de câmbio flutuante é vitorioso e veio para ficar. O ministro ponderou que a valorização do real tenderá a ser equilibrada pela queda do juro e observou que as importações estão aumentando. Ele disse ainda que não criará "artificialismos" no câmbio. Agora é esperar para ver como o mercado reage a esse conjunto de compromissos assumidos por Mantega, que foi claro ao defender a manutenção da atual política econômica, mas foi preciso também ao afirmar que há consenso sobre a necessidade da queda do juro, sem que isso comprometa a inflação. As apostas são de que pelo menos o primeiro momento será de cautela. Como se já não fosse difícil a equação para os negócios de hoje com a troca de ministros, os investidores vão ter que considerar as perspectivas sobre a política monetária dos EUA. Hoje o Fed decide a nova taxa de juros dos EUA. O mercado considera elevação de 0,25 ponto porcentual, para 4,75% ao ano, mas tem dúvidas sobre o futuro devido a indicadores econômicos dos EUA contraditórios, divulgados recentemente. Por isso, prestará atenção no comunicado que acompanha a decisão e deve mostrar-se sensível.

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