Dólar sobe a R$ 1,809 em reação a medidas do BC

Afirmação do presidente do Banco Central Europeu de que ajuda do FMI para Grécia seria "muito ruim" contribuiu para azedar o mercado 

Taís Fuoco, da , Agência Estado

25 de março de 2010 | 16h58

O dólar comercial subiu 0,50% hoje e fechou cotado a R$ 1,809 no mercado interbancário de câmbio. No mês, acumula alta de 0,17% e no ano, de 3,79%. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar negociado à vista avançou 0,48% e encerrou o pregão a R$ 1,8091. O euro comercial ganhou 0,12% e fechou a R$ 2,404. O dólar turismo subiu 0,53% no dia para R$ 1,89 (venda) e R$ 1,737 (compra). O euro turismo avançou 0,12% para R$ 2,53 (venda) e R$ 2,343 (compra).

Enquanto digere as medidas anunciadas na noite de ontem pelo Banco Central para desburocratizar e modernizar as operações de câmbio, o investidor aproveitou o ambiente hostil no exterior para ordens de compra da moeda norte-americana. Há quem acredite que a expectativa de maior fluxo com as medidas liberalizantes de ontem também possa ter contribuído.

Para Paulo Petrassi, gerente de renda fixa da Leme Investimentos, a alta do dólar hoje no mercado doméstico já pode ser um reflexo das medidas anunciadas ontem à noite. "O BC já tem aumentando o volume de compra de dólares no mercado à vista e agora anuncia essas medidas, isso tudo mostra que o BC e a Fazenda não estão confortáveis com os números das transações correntes e eles estão piorando", afirmou. Além disso, avalia, as perspectivas para o Brasil continuam positivas, o que deve se traduzir em novos fluxos de recursos externos ao País. O BC voltou a comprar dólares em leilão hoje e fixou a taxa de corte das propostas em R$ 1,8026.

Felipe Brandão, operador de mercados emergentes da Icap Brasil, no entanto, acredita que o movimento desta quinta-feira esteja mais relacionado ao cenário desfavorável no exterior do que a uma reação às medidas sobre o câmbio. "No começo há sempre a expectativa de que as medidas possam reverter o quadro de imediato, mas o fluxo não muda de um dia para o outro", afirmou.

Por isso, ele acredita que, "no fundo, o mercado hoje está repercutindo o cenário internacional", já que a Grécia ainda preocupa e o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, adicionou azedume ao afirmar que uma ajuda do FMI para ao país seria "muito ruim" para a zona do euro. O Conselho Europeu - formado pelos chefes de governo da União Europeia - está discutindo um pacote de suporte financeiro para a Grécia, que somaria 23 bilhões de euros, mas ainda não alcançou um acordo final, disse uma fonte à agência Dow Jones.

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