Dólar sobe a R$ 1,863 com PIB europeu e feriados

O rol de notícias ruins em relação à Europa não deu uma trégua nem nesta sexta-feira que antecede os feriados de carnaval (no Brasil) e de Dia do Presidente (nos EUA). Não bastassem as frustrações depois da espera por um pacote na Grécia durante toda a semana - que até o momento não saiu - hoje o Produto Interno Bruto (PIB) de países do bloco acrescentou mais dor de cabeça aos investidores. As preocupações e o feriado americano de segunda, enquanto os mercados funcionarão normalmente na problemática Europa, ditaram as ordens e levaram todos a se precaver no dólar.

TAÍS FUOCO, Agencia Estado

12 de fevereiro de 2010 | 17h14

Com isso, no mercado interbancário de câmbio, o dólar à vista fechou a R$ 1,8635, com alta de 0,62% na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), enquanto o dólar comercial fechou em alta de 0,76%, a R$ 1,863, depois de oscilar entre a máxima de R$ 1,87 e a mínima de R$ 1,858. Na semana, entretanto, o dólar acumula queda de 1,42% ante o real. O giro financeiro projetado para as operações com liquidação em dois dias (D+2) era de US$ 2,6 bilhões, ante os US$ 2,885 bilhões de ontem.

No segmento de câmbio turismo, o dólar subiu 0,36% hoje, cotado em média a R$ 1,96 na ponta de venda e R$ 1,837 para compra. O euro turismo perdeu 0,48% e fechou a R$ 2,67 (venda) e R$ 2,507 (compra). O euro comercial avançou 0,20% para R$ 2,535.

A Alemanha, maior economia do bloco, divulgou uma retração de 5% no PIB em 2009, maior queda desde o início do pós-guerra, enquanto a França teve recuo de 2,2% no PIB em 2009, maior queda anual desde 1945. No 4º trimestre de 2009 o PIB da Alemanha ficou inalterado, enquanto o da França registrou alta de 0,6%. No geral, o PIB da zona do euro (grupo dos 16 países que adotam o euro como moeda) cresceu 0,1% no quarto trimestre ante o terceiro, mas caiu 2,1% na comparação com igual intervalo do ano passado. No terceiro trimestre, o PIB da região havia aumentado 0,4% ante o segundo trimestre.

A China também contribuiu para azedar o humor ao anunciar que vai elevar o compulsório bancário em 0,5 ponto porcentual a partir do dia 25, na segunda medida desse tipo este ano. Em meados de janeiro, o BC chinês aumentou o compulsório, também em 0,5 ponto porcentual. Após o aumento anunciado hoje, os grandes bancos serão obrigados a manter 16,5% de seus depósitos em reserva. O PBOC disse que as cooperativas de crédito rural e pequenas empresas financeiras não serão afetadas pela decisão anunciada hoje. A medida chega pouco antes do feriado do Ano Novo Lunar da China, a partir do dia 14, quando os mercados financeiros locais estarão fechados durante toda a semana.

No mercado interno, o dia teve fluxo bem positivo e, mesmo assim, o dólar se valorizou, "o que mostra que o câmbio tem seguido menos os fatores internos que os externos. O local está ficando de lado", avaliou Bruno Lima, consultor em gerenciamento de risco da FCStone do Brasil. Outra coisa que tem contribuído para a alta da moeda, na sua avaliação, é o aumento da posição comprada dos bancos no mercado à vista. Em janeiro, os bancos estavam comprados em US$ 2,6 bilhões, posição que subiu para US$ 4,5 bilhões em fevereiro até dia 5. "Foi quase o dobro", citou o analista.

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