Dólar sobe acompanhando cautela no exterior

No mercado doméstico, ordens de fechamento de pagamentos que vencem no exterior também pressionaram a moeda

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

23 de agosto de 2012 | 17h02

O dólar encerrou o dia em alta no mercado de balcão nesta quinta-feira. Enquanto os índices acionários renovavam mínimas no exterior e no País, o dólar atingia máximas da sessão. Dados de atividade industrial da China e da zona do euro reacenderam preocupação sobre o crescimento econômico. Os investidores em escala mundial também reagiram com cautela aos comentários do presidente do Federal Reserve de St. Louis, James Bullard, citando não ter certeza se as condições econômicas justificam mais um relaxamento quantitativo nos Estados Unidos.

Embora o principal componente conduzindo o movimento do dólar ante o real tenha sido o ambiente internacional, operadores acrescentam, no mercado doméstico, que houve saída de recursos com empresas solicitando ordens de fechamento de pagamentos de importação, pagamentos de juros e outras obrigações que vencem no exterior até 27 de agosto.

O dólar à vista fechou a R$ 2,024 no mercado de balcão, com avanço de 0,20%. Em face do abrandamento do declínio das bolsas de valores no exterior, a alta do dólar foi amenizada de forma concomitante. Na máxima, o dólar foi a R$ 2,026 e bateu R$ 2,018 na mínima.

A expectativa com novos leilões de swap cambial reverso - correspondente à compra de dólares no mercado futuro - continua, em face do vencimento de US$ 4,45 bilhões em contratos de swap cambial tradicional - operação equivalente à venda de dólares no mercado futuro - em 3 de setembro. O que alimenta as apostas em relação aos swaps reversos é o fato de que o BC já não fez rolagem, em 31 de julho, dos 91.400 contratos de swap cambial tradicional que venciam em 1º de agosto. Portanto, agentes do mercado mantém a visão de que mais swaps reversos devem se seguir ao realizado na terça-feira (dia 21) até que o montante se aproxime do valor que vence em 3 de setembro, com objetivo de neutralizar o vencimento. Afinal, enfatiza um estrategista, o BC continua a postos para novas intervenções diante da disposição em manter o dólar no intervalo informal entre R$ 2,00 e R$ 2,10.

No exterior, após a ata do Fed na quarta-feira sinalizando possibilidade de novo estímulo, as declarações de Bullard, na direção contrária, alimentam os debates sobre as próximas decisões de política monetária nos EUA. O dólar reagiu em baixa ante o iene e o euro depois de dados enfraquecidos sobre o mercado de trabalho norte-americano, com aumento dos pedidos de auxílio-desemprego. Mas ante moedas de elevada correlação com os preços das commodities, como o dólar australiano e o canadense, o dólar registra avanço.

A cautela também foi restabelecida com o PMI preliminar da China, medido pelo HSBC, que caiu para 47,8 em agosto - a maior baixa em nove meses - em comparação com a leitura final de 49,3 em julho. Quanto à zona do euro, o PMI que mais preocupou os investidores foi o da Alemanha que registrou queda para 47,0 em agosto - o menor nível desde junho de 2009 - em comparação com a leitura final de 47,5 em julho.

Nesta quinta-feira o Banco Central divulgou que o déficit em transações correntes somou US$ 3,766 bilhões em julho, um resultado próximo da mediana calculada após levantamento do AE Projeções. No acumulado de janeiro a julho de 2012, a conta corrente brasileira registra déficit de US$ 29,108 bilhões, o equivalente a 2,16% do Produto Interno Bruto (PIB).

Dados apresentados pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, mostram que instituições financeiras estavam compradas (percepção de que as cotações do dólar podem subir) em US$ 1,636 bilhão no último dia 21 de agosto. No fim de julho, a posição comprada era de US$ 2,679 bilhões. Quanto ao fluxo cambial, no mês de agosto até o dia 21, houve saída líquida de US$ 1,069 bilhão, de acordo com números fornecidos pelo BC.

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