Dólar sobe ante euro com busca de segurança

Além da preocupação com Grécia, que persiste, investidores receiam novas investigações da SEC em bancos americanos

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

19 de abril de 2010 | 19h15

O dólar ganhou terreno com o aumento da preocupação com a Grécia e temores de implicações possivelmente mais amplas das acusações contra o Goldman Sachs no Estados Unidos, fatores estes que levaram os investidores a buscar segurança na divisa norte-americana.

 

Temores de que a China coloque um freio em seu crescimento alimentaram um sentimento negativo do mercado no overnight, derrubando bolsas de valores pelo mundo. Mas, quando as ações tocaram território positivo nos Estados Unidos, o dólar cedeu parte de seus ganhos ante moedas sensíveis ao crescimento.

 

"Sempre que há uma incerteza", seja por causa da Grécia, do Goldman Sachs ou por uma erupção vulcânica que encobre de cinzas os céus da Europa, "as pessoas simplesmente se distanciam" dos ativos de maior risco, explicou John Hazelton, chefe de negociações de câmbio do PNC Bank.

 

No entanto, as preocupações com a investigação da Securities and Exchange Commission (SEC, a CVM norte-americana) sobre o Goldman Sachs e eventuais implicações mais amplas perdiam força - os Treasuries fecharam em baixa depois de os investidores terem revertido em parte a direção da busca por um refúgio seguro na semana passada.

 

Os temores referentes ao Goldman abalaram investidores já nervosos com a situação da Grécia. "Não é provável que um desses dois temas se dissipe logo", disseram analistas do Citigroup sobre o Goldman e a Grécia. Segundo eles, é provável que a aversão ao risco dê o tom dos mercados de câmbio no curto prazo.

 

Uma delegação formada por representantes da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) deveria visitar a Grécia nesta segunda-feira para a negociação de um cada vez mais provável pacote de resgate financeiro ao endividado país. No entanto, o fechamento do espaço aéreo europeu pela nuvem de cinzas expelida por um vulcão em erupção na Islândia prejudicou a viagem da delegação, forçando o adiamento da reunião com autoridades gregas para a quarta-feira, arrastando ainda mais o processo de resgate à Grécia e prejudicando o desempenho do euro.

 

Hoje, o primeiro-ministro grego, George Papandreou, assegurou que seu governo não hesitará em pedir ajuda à UE e ao FMI se julgar necessário.

 

Também nesta segunda-feira, uma semana depois de ter vendido pouco mais de € 1,5 bilhão em títulos de curto prazo, a Grécia anunciou planos de leiloar mais títulos no mesmo montante em meio à persistente pressão sobre a dívida do país.

 

O spread do bônus gregos de 10 anos atingiu seu mais alto nível ante bônus alemães de vencimento similar em mais de uma década, num reflexo da persistente preocupação com a capacidade de financiamento da Grécia.

 

"A disparada do prêmio de risco do governo grego torna inevitável um pedido de recursos ao FMI, mas os investidores não se sentirão confortáveis enquanto não for acertado um plano de crescimento viável para a Grécia", avaliou Lena Komileva, diretora para G-7 da Tullett Prebon.

 

No fim da tarde, em Nova York, o euro era cotado a US$ 1,3469, abaixo do US$ 1,3506 na sexta-feira; o dólar era negociado a 92,38 ienes, acima dos 92,15 ienes na sexta-feira; a libra, por sua vez, caía a US$ 1,5316, de US$ 1,5393 na sexta-feira. As informações são da Dow Jones.

 

Tudo o que sabemos sobre:
moedasdólareuroiene

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.