Dólar sobe ante iene com rumor de intervenção do governo japonês

Medida serviria para conter a valorização da moeda japonesa

Álvaro Campos, da Agência Estado,

25 de agosto de 2010 | 19h00

O dólar subiu em relação ao iene hoje, em meio às crescentes especulações de que o governo do Japão deve intervir no mercado para conter a valorização da sua moeda. A probabilidade de que o banco central do Japão possa intervir no câmbio "aumentou claramente nas últimas semanas", disse Matthew Strauss, estrategista de câmbio do RBC Capital Markets.

 

Investidores preferiram focalizar na probabilidade de algum tipo de intervenção, ao invés de continuarem se preocupando sobre a situação da economia dos EUA. O iene é visto como um porto seguro em épocas de problemas econômicos e os investidores têm se dirigido para a moeda nas últimas semanas, colocando-a ontem no maior nível em 15 anos ante o dólar.

 

Enquanto isso, o franco suíço, outra moeda considerada um refúgio pelos investidores, continuou a subir, após a divulgação de dados ruins no mercado imobiliário dos EUA. O franco atingiu o maior nível em relação ao dólar desde janeiro, e uma nova máxima histórica ante o euro. "O mercado está testando se o Banco Nacional da Suíça vai intervir nos mercados para conter a apreciação do franco", disse Strauss. "Até agora, não há um indício real de que eles vão intervir, o que permite que os investidores acumulem a moeda", acrescentou.

 

No fim da tarde, o dólar estava em 84,78 ienes, de 84,15 ienes no fim da tarde de ontem. O euro estava em US$ 1,2655, de US$ 1,2674 ontem. Em relação ao iene, o euro estava em 107,20 ienes, de 106,64 ienes ontem. A libra estava em US$ 1,5450, de US$ 1,5433. O dólar estava em 1,0291 franco suíço, de 1,0312 franco suíço. O índice ICE Dollar, que monitora a cotação da moeda norte-americana ante uma cesta de moedas, estava em 83,275, de 83,139 ontem.

 

Hoje, mais uma vez os dados econômicos dos EUA foram decepcionantes, com uma queda de 12,4% na venda de imóveis novos em julho em relação a junho, com o número chegando ao menor nível desde 1963. Já a alta de apenas 0,3% nas encomendas de bens duráveis em julho na comparação com junho ficou bem abaixo da estimativa dos analistas, de 2,8%.

 

"Dado a série de dados econômicos frágeis, os investidores agora estão focados na resposta das políticas monetárias, o que torna a reunião dos principais bancos centrais do mundo, que vai acontecer em Jackson Hole (EUA) na sexta-feira, o evento mais importante da semana", disse Steven Englander, diretor de estratégias para o G-10 do Citigroup. O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, vai discursar no evento, e investidores estão esperando para ver se a instituição vai adotar novas ações, como mais medidas de afrouxamento quantitativo, para impulsionar a hesitante economia dos EUA.

 

O euro caiu em relação ao dólar, com os receios sobre a saúde financeira de países da periferia da zona do euro ofuscando o indicador melhor do que o esperado sobre o sentimento dos empresários da Alemanha. O Instituo IFO divulgou que a confiança dos empresários do país subiu para 106,7 em agosto, de 106,2 em julho. Um dos motivos do receio dos investidores foi a decisão da agência de classificação de crédito Standard & Poor's de rebaixar o rating da Irlanda para AA-, divulgada na noite de ontem.

 

As moedas ligadas a commodities, como os dólares do Canadá, Nova Zelândia e Austrália, caíram após os dados dos mercado imobiliário nos EUA, mas se recuperaram perto do fim da sessão em Nova York, acompanhando as bolsas norte-americanas, que saíram do campo negativo para fechar com pequenos ganhos. As informações são da Dow Jones.

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