PAULO VITOR/ESTADÃO
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Dólar sobe e Bolsa cai após desvalorização recorde do yuan

Decisão do governo chinês de intervir no câmbio influencia alta da moeda americana; Vale é o principal destaque de baixa do Ibovespa

Karla Spotorno, O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 10h03

Atualizado às 11h45

A decisão do governo chinês de realizar uma forte desvalorização do yuan gerou impactos nos mercados de câmbio e de ações nesta terça-feira. O dólar abriu em alta ante o real, seguindo o comportamento da moeda americana em relação a divisas de países emergentes e exportadores de commodities. Já o Ibovespa tem queda, com destaque para as ações da mineradora Vale, que recuam mais de 5%.

Às 11h45, o dólar à vista estava em alta de 1,59%, cotado a R$ 3,5050. Na máxima até agora, a moeda alcançou R$ 3,507. O movimento é o oposto do observado na véspera, quando a divisa americana fechou em queda de mais de 1%No mesmo horário, o Ibovespa recuava 1,21%, aos 48.756 pontos.

Nesta terça-feira, a China realizou a maior desvalorização da história do yuan ante o dólar em um só dia, de 1,9%, dando novo combustível à guerra cambial. Na avaliação de analistas, a iniciativa chinesa deve aprofundar uma rodada global de desvalorizações competitivas em um mundo de crescimento mais fraco, especialmente entre seus parceiros comerciais na Ásia.

Diante de indicadores econômicos mais fracos, Pequim busca melhorar a competitividade das exportações e estimular a economia interna, numa política que prejudica seus concorrentes. A intervenção "resultou na maior depreciação do yuan em duas décadas", como destacam os analistas do departamento econômico do Bradesco em relatório a clientes.

Crise política. No cenário interno, os investidores do mercado de ações reagiram positivamente à notícia de que o Palácio do Planalto aceitou um pacote de 27 propostas legislativas apresentadas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A aproximação está sendo entendida como uma forma de neutralizar as "pautas-bomba" no Congresso Nacional e também de abafar o coro pró-impeachment vindo da Câmara, presidida por Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O projeto de lei que revê as desonerações deve voltar à pauta do Senado nesta terça-feira.

A parceria é considerada oportuna, visto que nesta terça-feira será retomada a votação de projetos importantes para o ajuste fiscal na Câmara e no Senado. Na Câmara, haverá reunião de líderes para definir a prioridade de votações.

A pauta das sessões ordinárias da Casa segue trancada pelo projeto do Poder Executivo sobre a identificação e o combate ao terrorismo (PL 2016/15). Uma vez destrancada a pauta, os deputados poderão analisar a correção do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pelo mesmo índice aplicado às cadernetas de poupança; e os destaques da PEC que vincula o salário de categorias da União, dos Estados e dos municípios a 90,25% do subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

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