Rafael Neddermeyer|Fotos Públicas
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Dólar sobe 2% e fecha a R$ 3,56 após intervenção do BC

Autoridade monetária voltou a realizar leilão para conter a valorização do real; Bovespa caiu 2,43%, pressionada pelas ações da Vale e do setor bancário

Paula Dias e Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

03 de maio de 2016 | 11h17
Atualizado 03 de maio de 2016 | 17h58

A aversão ao risco no mercado internacional derrubou as bolsas de valores em todo o mundo e foi determinante para levar a Bovespa a fechar em queda de 2,43% nesta terça-feira, aos 52.260,18 pontos. A preocupação dos investidores com dados do balanço trimestral do Itaú Unibanco derrubou as ações de todo o setor financeiro, o que reforçou o ímpeto vendedor na Bolsa brasileira.

Já o dólar fechou em alta de 2%, cotado a R$ 3,5650. O avanço da moeda americana no exterior, em meio às preocupações com a economia global, e o leilão de swap cambial reverso feito pelo Banco Central foram dois dos principais motivos para o movimento.

Uma nova onda de preocupações com o ritmo da economia global, em especial a chinesa, voltou a aumentar a aversão ao risco, com os investidores estrangeiros dando preferência a ativos considerados seguros. O estopim para esse movimento foi o PMI industrial da China, que teve a 14ª queda consecutiva, passando de 49,7 em março para 49,4 em abril.

As commodities reagiram com baixa expressiva. O minério de ferro teve queda de 4,1%, refletindo o temor da desaceleração industrial na segunda maior economia do mundo. O petróleo recuou 2,52% na Nymex e 1,88% na ICE, influenciado pelo temor de persistência do excesso de oferta em relação à demanda. Afetadas pelas quedas dessas commodities, as ações da Vale perderam 6,09% (ON) e 6,53% (PNA), e as da Petrobras recuaram 3,39% (ON) e 3,83% (PN).

As ações do Itaú Unibanco mergulharam em forte desvalorização e contaminaram outros papéis do setor bancário. Itaú Unibanco PN, ação de maior peso na composição do Ibovespa, terminou o dia em queda de 5,76%. Além da queda de 9,58% no lucro do banco entre janeiro e março, divulgado pela manhã, pesou nas ações o aumento de 31% das provisões para créditos duvidosos. Diante do temor de maior risco de calotes no sistema financeiro, também fecharam em baixa Banco do Brasil ON (-5,15%), Bradesco PN (-2,09%) e Santander Unit (-1,42%).

Câmbio. No mercado de câmbio, profissionais citaram ainda a possibilidade de novas medidas de tributação serem adotadas, seja no governo Dilma Rousseff, seja na administração Michel Temer.

O dólar já abriu o dia em alta superior a 1%, sob influência do exterior e com investidores à espera da operação com swaps reversos do BC. Lá fora, as divisas de emergentes e exportadores de commodities eram penalizadas pela China. No Brasil, o BC acabou vendendo 9.800 dos 20.000 contratos de swap cambial reverso. A operação, cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro, representou a retirada de US$ 490 milhões do sistema.

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