Dólar sobe atento ao piso informal de R$ 1,80

Mercado testa variação do câmbio e espera dados sobre a economia dos EUA

Cristina Canas, Agencia Estado

19 de março de 2012 | 09h17

O mercado financeiro continua com motivos para dirigir as atenções prioritariamente para o cenário interno. Na semana passada, fortes intervenções no câmbio e um recado da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) consolidaram a percepção de que a equipe econômica do País trabalha com piso de 9% para a taxa de juros básica, a Selic, e com uma banda cambial, que seria de R$ 1,70 a R$ 1,90. Mas a sexta-feira chegou ao fim com incertezas sobre qual o real valor desse piso cambial e isso vai merecer atenções hoje e nos próximos dias.

Se inicialmente havia consenso de que o piso para o dólar era de R$ 1,70, observando as últimas atuações do Ministério da Fazenda e os leilões do Banco Central, aos poucos, alguns analistas começaram a entender que há uma intenção de "puxar esse valor para R$ 1,80". "Há até algumas semanas, eu achava que o governo estava satisfeito com o câmbio a R$ 1,70. Mas de acordo com o padrão de intervenção recente do BC esse número está próximo de R$ 1,80. Aliás, (para o BC) um pouco acima de R$ 1,80 é bom, qualquer coisa abaixo não é aceitável, essa é a minha impressão," disse o chefe de economia e estratégia para o Brasil do Bank of America Merrill Lynch, David Beker, em entrevista à Agência Estado, durante um dos encontros paralelos na reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que se realiza em Montevidéu.

Na sexta-feira, o fechamento do dólar à vista ficou em R$ 1,802 no mercado de balcão. O dólar abril, o contrato de derivativo mais líquido, encerrou do dia a R$ 1,809. O Banco Central comprou dólares no mercado à vista no final da tarde e fixou a taxa de corte em R$ 1,8025.

Ao mesmo tempo em que o cenário doméstico segue como prioridade para os investidores, os operadores avaliam que os fatores internacionais tendem a ganhar espaço na definição das cotações do dólar ante o real. Com a percepção de que a situação na Europa está um pouco mais sob controle - hoje a Grécia recebe a primeira parcela do segundo empréstimo dos organismos internacionais ao país - o interesse maior é pelos dados da economia norte-americana.

O mercado vem trabalhando com a ideia de que a recuperação econômica dos Estados Unidos está se firmando e gostaria de ver isso confirmado a cada indicador. Na semana passada, o rumo das moedas foi fortemente influenciado por essa avaliação e a formação das perspectivas para a política monetária do país, será, com certeza, um fator determinante para o comportamento desses ativos nos próximos dias, ao redor do mundo todo.

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