Dólar sobe com busca de segurança após alta do juro na China

Medida visa a limitar rápido crescimento econômico do país asiático

Regina Cardeal, da Agência Estado,

19 de outubro de 2010 | 19h26

O dólar subiu forte no mercado de câmbio internacional nesta terça-feira depois que a China surpreendeu os investidores com uma alta em sua taxa de juro, num esforço para colocar um limite em seu rápido crescimento econômico. Temerosos de uma desaceleração global, os investidores correram para a segurança do dólar, fazendo com que o índice ICE dólar, que monitora o desempenho do dólar ante uma cesta de moedas, subisse mais de 1,5%, seu maior ganho em mais de dois meses.

 

A corrida para o dólar é uma inversão da movimentação recente, uma vez que a moeda norte-americana esteve nas últimas semanas sob a pressão dos investidores que especulam que o Fed poderá agir em breve para estimular a economia dos EUA, mantendo os juros baixos por mais tempo do que o previsto.

 

A inesperada elevação do juro na China levou os investidores para o dólar, torpedeando ativos nos quais vinham apostando, como ouro, petróleo e ações. "Qualquer tentativa de desacelerar a economia chinesa terá ramificações" em todo o mundo, disse John McCarthy, diretor de câmbio do ING Capital Markets em Nova York.

 

A decisão da China também afastou investidores de moedas ligadas ao ritmo do crescimento global, especialmente os dólares da Austrália e Nova Zelândia - moedas relacionadas às commodities -, que dependem do crescimento da China. Após tocar a paridade com o dólar na sexta-feira, o dólar australiano caiu abaixo de US$ 0,97, perdendo mais de 2% no dia.

 

"Os investidores estão nervosos", disse Amelia Bourdeau, estrategista de câmbio do UBS em Stanford, Connecticut. Ela explicou que uma desaceleração na China poderá atingir outras economias emergentes, num momento em que os investidores também temem que a resposta do Fed à desaceleração da economia dos EUA não será suficiente para impulsionar o crescimento doméstico. Uma economia mais lenta na China e nos EUA reduziria particularmente o apetite por commodities.

 

O dólar subiu em relação a uma série de moedas, incluindo rivais como o euro, que declinou mais de 1,45%, e moedas emergentes como o rand sul-africano, que caiu quase 1,5%.

 

O banco central do Canadá acelerou a fuga para a segurança do dólar ao fazer uma pausa na alta de juro, apresentando uma visão mais cautelosa sobre a economia do país e do mundo. O dólar canadense, também ligado às commodities, já estava pressionado pela decisão da China e cedeu mais terreno depois de o banco central ter afirmado que a recuperação global está entrando numa nova fase, que incluirá uma recuperação nos EUA mais fraca do que o estimado anteriormente. O dólar dos EUA subiu quase 1,4% em relação à moeda canadense.

 

No fim da tarde em Nova York, o euro era negociado em queda a US$ 1,3730, de US$ 1,3943 na tarde de ontem. O euro chegou a cair a US$ 1,3713, seu nível mais baixo em duas semanas. O dólar subia a 81,58 ienes, de 81,25 ienes ontem, enquanto o euro valia 112,01 ienes, de 113,28 ienes ontem. A libra do Reino Unido estava em US$ 1,5697, de US$ 1,5887. As informações são da Dow Jones.

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