PAULO VITOR/ESTADÃO
PAULO VITOR/ESTADÃO

Dólar sobe para R$ 3,58 após recuo do PIB

Moeda norte-americana interrompeu a trégua diante de dados ruins sobre a economia brasileira; especulações sobre a alta dos juros nos Estados Unidos intensificaram o movimento

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 14h24

Após a trégua na quinta-feira, quando o dólar caiu mais de 1%, os investidores voltaram a buscar a moeda americana hoje, influenciados por fatores internos e externos. Os números decepcionantes do PIB brasileiro e do resultado fiscal de julho favoreceram a procura por dólares no Brasil, enquanto lá fora declarações de um dirigente do Federal Reserve no início da tarde reforçaram o movimento. A moeda fechou em alta de 0,56%, aos R$ 3,5830. Na semana, acumula avanço de 2,58%. 

Pela manhã, o mercado até ensaiou a continuidade do movimento de venda de dólares visto na quinta, realizando os lucros mais recentes. Mas quando os números da economia brasileira foram divulgados, ficou claro que o País tem dificuldades para voltar a crescer e para ajustar suas contas. O Produto Interno Bruto (PIB) de julho indicou retração de 1,9% no segundo trimestre, ante o primeiro, e caiu 2,6% ante o segundo trimestre do ano passado. Para piorar, o PIB do primeiro trimestre do ano foi revisado em baixa, de -0,2% para -0,7% ante o quarto trimestre de 2014. Na prática, o País está em recessão técnica. 

Já o Banco Central informou que o setor público consolidado teve um déficit primário de R$ 10,019 bilhões em julho - bem pior que os R$ 8,050 bilhões negativos esperados pelo mercado (mediana das previsões).

Esta combinação explosiva - recessão e rombo fiscal - fez investidores buscarem a segurança do dólar. A moeda acelerou ainda mais no início da tarde, após declarações do vice-presidente do Fed, Stanley Fischer, sobre o futuro da política monetária nos EUA. Segundo ele, é "muito cedo para dizer o que vamos fazer em setembro", na reunião do comitê do Fed. O comentário, na prática, não descarta a possibilidade de alta de juros no próximo mês, o que deu força ao dólar ao redor do mundo e também aos yields dos Treasuries naquele momento. 

Bolsa. A Bovespa interrompeu uma sequência de três sessões consecutivas de ganhos, para encerrar em baixa de 1,18%, aos 47.153,86 pontos. Investidores aproveitaram o movimento mais recente para realizar lucros (vender ações), sendo que o sinal negativo em Nova York durante boa parte do dia também contribuiu para o recuo da Bolsa, assim como os números ruins da economia brasileira.  

Apesar do resultado de hoje, a Bovespa terminou a semana com alta acumulada de 3,14%, no primeiro resultado semanal positivo em agosto.

Os papéis da Petrobrás até garantiam certa sustentação para o Ibovespa. As ações da estatal chegaram a subir ao redor de 6% pela manhã, puxadas pelo avanço dos preços do petróleo em Nova York e em Londres. Só que, à tarde, elas migraram para o território negativo, aprofundando as perdas da Bovespa. No fim, ainda viraram novamente, e terminaram com ganhos de 1,18% a ON e 1,24% a PN. 

Vale chegou a subir pela manhã mas, à tarde, perdeu força. O papel ON da mineradora cedeu 2,15% e a ação PNA teve baixa de 0,07%. 

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