Dólar sobe com fuga do risco antes da reunião do G-20

Mercado ficou nervoso com especulações de um iminente pacto global sobre o câmbio neste fim de semana

Regina Cardeal, da Agência Estado,

21 de outubro de 2010 | 19h13

O dólar subiu em relação aos seus principais rivais com a busca da moeda como porto seguro pelos investidores antes da reunião de ministros das Finanças e dirigentes de bancos centrais do Grupo dos 20 (G-20). Embora a maioria dos analistas ache pouco provável que um acordo seja definido na reunião do G-20 na Coreia do Sul, o mercado ficou nervoso com especulações de um iminente pacto global sobre o câmbio neste fim de semana.

 

Os dados econômicos positivos da China e da Alemanha que haviam estimulado a demanda por ativos de risco - o que favoreceu o euro pela manhã - passaram para segundo plano durante a sessão de Nova York.

 

"Estamos vendo muita volatilidade no dólar esta semana e os dirigentes de bancos centrais vão continuar no foco antes da reunião do G-20", disse Dan Cook, executivo-chefe da corretora IG Markets-US, em Chicago.

 

Andrew Busch, estrategista de câmbio global da BMO Capital Markets em Chicago, disse que "as pessoas estão reavaliando seus ativos de risco maior e o quão otimistas elas querem ficar" antes do fim de semana. Para Geoffrey Yu, estrategista de câmbio do UBS em Londres, não é realista esperar um acordo imediato no câmbio por conta da complexidade da questão. "Ninguém espera muito deste fim de semana; ainda é cada um por si", disse.

 

As especulações sobre um acordo ganharam impulso com os comentários do secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, publicados pelo Wall Street Journal, segundo os quais ele usará a reunião do G-20 para buscar formas de "reequilibrar" a economia mundial.

 

Alguns analistas viram nisso um sinal que os EUA vão resistir a um maior enfraquecimento do dólar em relação ao euro e ao iene, sugerindo que um acordo internacional sobre as taxas de câmbio estaria sendo trabalhado. Mas os investidores provavelmente interpretaram com exagero as palavras de Geithner quando imediatamente compraram dólares por causa do artigo, disseram analistas.

 

No fim da tarde, os investidores ignoraram em grande medida os comentários do presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, que traçou um cenário de "afrouxamento quantitativo", o largamente esperado programa de compra de Treasuries, que inundaria o mercado com dólares.

 

Embora tenha enfatizado que um maior afrouxamento quantitativo ainda não tenha sido decidido, ele disse que prevê compras iniciais de US$ 100 bilhões pelo Fed e mais aquisições de Treasuries dependendo da avaliação da economia nas futuras reuniões do comitê de política monetária do Fed, o Fomc.

 

O euro devolveu os ganhos do início do dia depois que os EUA divulgaram indicadores mistos. Um número melhor do que o esperado dos pedidos de auxílio-desemprego na semana encerrada em 16 de outubro sugeriu que a economia está melhorando, mas os dados de atividade do Fed de Filadélfia decepcionaram.

 

No fim da tarde em Nova York, o euro estava em US$ 1,3922, de US$ 1,3949 na quarta-feira. O dólar era negociado em 81,35 ienes, de 81,16 ienes, enquanto o euro estava em 113,22 ienes, de 113,25 ienes ontem. A libra do Reino Unido era negociada em baixa a US$ 1,5706, de US$ 1,5840 na tarde de ontem. As informações são da Dow Jones.

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