Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Dólar fecha a R$ 3,87 com impasse político no Brasil e queda das importações da China

Após a trégua dos últimos dias, moeda americana subiu 3,23%; importações da China recuaram 20,4% em setembro e levantaram temores sobre a desaceleração da 2ª maior economia do mundo

Paula Dias, O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2015 | 10h51

Atualizado às 17h10

Passada a trégua dos últimos dias, o mercado de câmbio voltou a dar sinais de estresse e levou o dólar a fechar cotado a R$ 3,872, com alta de 3,23%. Foi a maior variação porcentual de fechamento desde 13 de março deste ano. 

A disparada da moeda norte-americana ocorreu em meio a fatores internos e externos. Na Europa, pesou o índice ZEW de expectativas econômicas da Alemanha, que caiu de 12,1 em setembro para 1,9 em outubro, ante previsão de 6,9. Mas a pior notícia veio da China, que registrou queda de 20,4% nas importações do país, acima da expectativa dos analistas, de queda de 16,5%. 

O número ruim das importações chinesas sinalizou desaceleração da segunda maior economia do mundo, com reflexos em diversos mercados, inclusive os de câmbio, com valorização do dólar frente a moedas de diversos países emergentes, entre elas o real. Na máxima do dia, registrada à tarde, o dólar chegou a atingir os R$ 3,883, com alta de 3,52%.

No cenário interno, as atenções estiveram focadas nos desdobramentos da disputa em torno da possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O foco central da batalha é o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que tem em suas mãos os pedidos de impeachment da presidente e, ao mesmo tempo, se vê encurralado pelas evidências de que recebeu propina em negócios envolvendo a Petrobrás. 

Dentro da disputa em torno do impeachment, três mandados de segurança obtidos pela base governista dificultam as estratégias de Cunha de fazer avançar o processo na Câmara. Com as liminares obtidas no STF, deputados ficam impedidos de recorrer quando houver rejeição de pedido de impeachment feito por Cunha. 

Na prática, a decisão de levar à frente um processo de impeachment fica somente nas mãos do presidente da Câmara. Entre os principais pedidos de impeachment em análise por Cunha está aquele elaborado pelo ex-petista Hélio Bicudo e pelo jurista Miguel Reale Junior. O deputado afirmou que retomaria hoje a análise dos pedidos, mas que o requerimento de Bicudo seria o último da lista.

Ao participar da abertura do I Congresso Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a oposição, sobretudo o PSDB, que tem defendido a tese do impeachment ou a renúncia de Dilma. "A oposição deveria criar vergonha e deixar a Dilma governar este País", disse o ex-presidente.

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