Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Dólar acumula queda de 2,7% na semana e fecha cotado a R$ 3,91

Moeda se recuperou às vésperas do feriado de carnaval com investidores buscando proteção; bolsa teve dia de correção e fechou em baixa de 0,56%

Fabrício de Castro, Paula Dias, O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2016 | 10h49

Após as fortes perdas dos últimos dias, o dólar se recuperou um pouco ante o real nesta sexta-feira, 5. O viés positivo para a moeda americana no exterior, somado a certa busca por proteção antes do período de carnaval no Brasil, sustentou as cotações. O dólar à vista fechou em alta de 0,34%, aos R$ 3,9138. Na semana, porém, recuou 2,67%. 

A divulgação do IPCA de janeiro pelo IBGE, no início do dia, deu certa força às cotações. Isso porque os números deixaram claro que o cenário para a inflação no Brasil segue complicado: os preços subiram 1,27% em janeiro, ante taxa de 0,96% em dezembro. Em 12 meses, a taxa segue nos dois dígitos, em 10,71%. Profissionais do mercado esperavam uma inflação entre 0,94% e 1,21% em janeiro. Já após a divulgação, às 9h28, o dólar à vista bateu a máxima de R$ 3,9277 (+0,70%), com investidores reagindo de forma negativa aos dados. 

Com a proximidade do anúncio do relatório de empregos dos EUA (payroll), alguns investidores passaram a vender a moeda americana, que migrou para o terreno negativo, numa tentativa de antecipar tendências. O problema é que o resultado do relatório foi misto: os EUA criaram 151 mil empregos em janeiro, bem abaixo da previsão de 185 mil, mas a taxa de desemprego caiu a 4,9%, melhor que a previsão de 5,0%. Além disso, o salário médio por hora subiu 0,47% em janeiro, acima da previsão de +0,30%. 

Nos mercados de moedas, houve uma clara tendência de fortalecimento do dólar ante outras divisas após o payroll. Este movimento foi, em parte, também atribuído ao petróleo, que manteve perdas em Londres e em Nova York durante boa parte da sessão. Neste cenário, o dólar voltou ao campo positivo e nele ficou durante a tarde. Mesmo porque, a proximidade do feriado prolongado de carnaval fazia os players adotarem uma postura mais cautelosa.

Bolsa. A Bovespa cedeu a uma correção pré-carnaval e fechou em baixa de 0,56%, aos 40.592,09 pontos. O desempenho da Bolsa não chegou a ser considerado ruim pelos profissionais do mercado, uma vez que resistiu à influência das bolsas de Nova York, que chegaram a exibir perdas de até 3% ao longo do dia. Mesmo com a queda, o Ibovespa terminou a semana com valorização acumulada de 0,46%. O volume de negócios no mercado brasileiro somou R$ 4,835 bilhões, num sinal de que a véspera do feriado de Carnaval foi de movimentação reduzida.

Os preços do petróleo também exerceram influência sobre os negócios e, com novo dia de instabilidade, contribuíram para levar as ações da Petrobrás a perdas de 4,20% (ON, ações com direito a voto) e de 4,02% (PN, papéis com preferência no recebimento de dividendos). Os papéis da Vale operaram no azul na maior parte do dia, beneficiados pela estabilidade dos preços do minério de ferro no dia, mas com valorização significativa no acumulado da semana. Ao final dos negócios, Vale PNA teve alta de 0,52%, embora a ação ordinária tenha perdido 1,06%.

A perda de fôlego da Bovespa começou à tarde, com a aceleração das quedas em Wall Street e a redução da liquidez nos negócios, conforme se aproximava o final do dia. A proximidade do feriado de Carnaval, que deixará o mercado brasileiro fechado até o meio dia de quarta-feira, foi fator de cautela para o investidor, uma vez que os mercados internacionais continuarão operando normalmente.

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