Dólar sobe com perspectiva de que juros vão cair

O comportamento do mercado doméstico de câmbio, que opera o dólar em alta superior a 2%, é um ajuste à perspectiva de queda do spread (diferença) entre juros externos e nacionais que os investidores criaram com a escolha de Guido Mantega para comandar o Ministério da Fazenda. O novo ministro é um defensor da queda mais acentuada da taxa básica de juros da economia (Selic) e isso deve diminuir o espaço para a entrada dos recursos que têm chegado ao Brasil para arbitragem. É essa a avaliação que o mercado tinha e mantém após as primeiras declarações dadas pelo ministro ontem à tarde e na manhã de hoje. Ou seja, o aumento do dólar é mais técnico do que reflexo de temores sobre a manutenção da política econômica, que o ministro fez questão de reafirmar. Ainda assim, os operadores dizem que uma certa dose de incerteza existe com a escolha de Mantega, principalmente porque "quem está sendo trocado é um ministro que era muito bem visto pelo mercado, competente". Os investidores entendem também que, ao escolher Mantega, "o presidente Lula optou por remover as críticas à política de juros, apostando que isso facilitará sua reeleição". E isso é parte da pressão de alta do dólar nesta terça-feira. Operadores ouvidos pela Agência Estado ponderaram que a reação inicial vista esta manhã não se sustentará após o ajuste à nova situação ser completado. Eles acreditam que a troca de ministros não vai provocar um ambiente de nervosismo duradouro. A alta do dólar hoje é acentuada pelas incertezas em relação à trajetória da política monetária dos Estados Unidos. Hoje, o banco central norte-americano (Federal Reserve) decide a nova taxa de juros do país e há consenso sobre uma elevação de 0,25 ponto porcentual. Mas há incertezas sobre os próximos passos. Às 10h47, o dólar comercial subia 2,49%, a R$ 2,225. No pregão viva-voz da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), a moeda norte-americana registrava alta de 2,44%, a R$ 2,224. A perspectiva é de que essa pressão de alta perca força à tarde, a menos que o mercado externo apresente novas tensões.

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